Caixa paga hoje (29) última parcela do Auxílio Emergencial; economista comenta fim do benefício

A Caixa Econômica Federal realiza nesta terça-feira (29) o pagamento da última parcela do Auxílio Emergencial, no Ciclo 6, para beneficiários nascidos em dezembro. Os beneficiários do Bolsa Família já haviam recebido o último pagamento de R$ 300,00 até a última quarta-feira (23). 

A posição oficial do governo federal é de que essa será mesmo a última parcela do benefício, mas ainda há a possibilidade de retorno dependendo da situação da pandemia. O desafio, entretanto, seria encaixar novos pagamentos no orçamento de 2021. Somente em 2020, a previsão é que o Brasil feche o ano com um rombo de R$ 831,8 bilhões nas contas públicas.

Impactos e desafios para a Economia

Segundo o economista Igor Lucena, doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, em Portugal, o fim do auxílio pode fazer a economia “naufragar, pois vamos tirar as pernas de sustentação da retomada”. Por outro lado, aponta Lucena, será um grane desafio manter o programa sem perder o controle fiscal.

"Está claro que a economia ainda não deslanchou, pois o nível de desemprego continua a subir. Isso significa que mais estímulos financeiros serão necessários no ano de 2021. Vale ressaltar que na Europa e nos Estados Unidos, já há um consenso entre as autoridades monetárias e os governos federais que a economia não se recuperará no início o ano por si só, entretanto devido ao fato do dólar e do Euro serem reservas internacionais de valor, é mais fácil tomar esse tipo de decisão. Aqui no Brasil estamos em uma encruzilhada pois se não mantivermos o Auxílio Emergencial e o Programa de Emprego, poderemos ver a economia naufragar, pois vamos tirar as pernas de sustentação da retomada, por outro lado tudo isso é muito caro e a dívida bruta pública já está pressionada pelo "orçamento de guerra de 2020". A questão que se impõe é como manter esses programas sem passar a impressão de descontrole fiscal?", explica o economista Igor Lucena.

Segundo Lucena, a prorrogação dos auxílios será inevitável se os casos de Covid-19 voltarem a subir, mas, para o economista, isso só será viável se avançarmos nas reformas estruturais:

"Na minha opinião vamos ter dois parâmetros de análise. O primeiro é que com a continuidade das medidas fiscais e monetárias no exterior, isso de alguma maneira facilita que nós possamos ousar mais na mesma direção, porém o perigo a inflação e do descontrole fiscal aumentam. Com o aumento dos casos de Covid-19, acho que a prorrogação aos auxílios é inevitável, mas só conseguiremos manter a credibilidade fiscal se ao mesmo tempo já avançarmos nas reformas estruturais, demonstrando ao mercado que no longo prazo nossa razão dívida/PIB deve cair e o crescimento com superávits deve voltar. Essa situação impõe ao mesmo tempo uma oportunidade para reformarmos o Estado, porém o tempo agora é curtíssimo."