Vacina de Oxford é chave para 2021 “normal”; entenda

Com quase 3 bilhões de doses encomendadas ao redor do mundo, a vacina contra a Covid-19 da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca se coloca como uma grande esperança para um ano de 2021 próximo ao que chamamos de normalidade.

Neste domingo (27), em entrevista publicada pelo jornal britânico Sunday Times, o CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, afirmou que a empresa encontrou a fórmula ideal de aplicação da vacina que teria apresentado eficácia contra a Covid-19 equivalente às da Pfizer e da Moderna - ambas no patamar de 95% - além de 100% de eficácia contra a forma grave da doença.

As autoridades regulatórias do Reino Unido, inclusive, já avaliam os resultados, que ainda não foram divulgados oficialmente, para uma possível aprovação emergencial do imunizante, que pode virar o jogo na pandemia:

"Se conseguirmos a aprovação para esta vacina e a aplicação for conforme planejado, então seremos capazes de gradualmente revogar algumas das restrições que tornaram a vida tão difícil para tantos" – afirmou Michael Gove, ministro oficial de gabinete britânico.

Vacina é ideal para aplicação em massa

O Brasil tem acordo para compra de 100 milhões de doses da vacina de Oxford ainda no primeiro semestre de 2021. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será responsável por envasar a vacina e, a partir do segundo semestre, iniciará uma produção independente, já em solo brasileiro, de pelo menos outras 110 milhões de doses até o fim do ano.

A vacina, que é a com mais doses previstas para o Brasil, reúne dois requisitos importantíssimos para a aplicação em massa: é de oito a dez vezes mais barata (cerca de 25 reais a dose) que as da Pfizer e da Moderna, já aprovadas nos Estados Unidos; e não exige resfriamento extremo, apenas refrigeração comum.

Essas condições levaram as nações mundo afora a reservarem 2,959 milhões de doses do imunizante para 2021. Índia (1 bilhão de doses), União Europeia (400 milhões) e Estados Unidos (300 milhões) serão os principais compradores. Mas ainda há ressalvas.

Confusão com doses exigiu novos testes

No final de novembro, a AstraZeneca divulgou resultados de eficácia que gerou confusão entre a comunidade científica. Na ocasião, a empresa afirmou que no regime normal de aplicação, de duas doses inteiras, a vacina tinha sido cerca de 60% eficaz – o que especialistas já consideram muito bom -, enquanto que em um regime de meia dose inicial e mais uma dose inteira, o imunizante teria protegido mais de 90% dos vacinados.

A preocupação se deu principalmente porque esse regime alternativo foi encontrado por acidente, segundo a própria AstraZeneca, após um erro na formulação em um dos centros de distribuição. Além disso, a eficácia de 90% teria sido observada apenas em voluntários com menos de 55 anos.

Isso tudo levou a farmacêutica a anunciar uma nova rodada de testes para confirmar a eficácia do regime de meia dose inicial mais uma dose inteira. Na entrevista de sábado, o CEO da empresa afirmou que a AstraZeneca acredita já ter a resposta para essas dúvida.