Jornalista é condenada a quatro anos de prisão na China por noticiar a pandemia de Covid-19

A Justiça da China condenou a quatro anos de prisão uma jornalista que cobriu nas redes sociais a situação dos hospitais da cidade de Wuhan, onde começou a pandemia de Covid-19. Zhang Zhan, de 37 anos, foi acusada de “provocar distúrbios”.

Durante o julgamento, jornalistas e diplomatas estrangeiros foram impedidos de entrar no tribunal. Um dos advogados da jornalista, Ren Quanniu, demonstrou aflição com a situação emocional e psicológica da cliente, dizendo que Zhang Zhan “parecia muito preocupada quando a sentença foi anunciada” e

A censura a jornalistas e ativistas já é comum na China, mas foi escancarada durante a pandemia de Covid-19. Os próprios primeiros médicos a alertarem para o surgimento do novo coronavírus, ainda em dezembro de 2019, foram acusados de “propagar boatos” e houve acusações de perseguição. Um dos profissionais que mais cobraram ações de contenção ao vírus, o médico Li Wenliang, morreu de Covid-19 em fevereiro.

Outras três pessoas foram presas na China após a cobertura capitaneada por Zhang Zhan. A jornalista, segundo outro advogado, iniciou uma greve de fome em protesto:

"Quando a vi na semana passada, ela afirmou: 'Se receber uma sentença pesada, vou recusar qualquer alimento até o fim'. Ela acredita que vai morrer na prisão" – informou Zhang Keke.