Relator do impeachment de Witzel diz que houve “contradições” em depoimentos de testemunhas

O Tribunal Especial Misto que julga o processo de impeachment do governador afastado do Rio, Wilson Witzel, ouviu nessa quinta (17) 16 das 27 pessoas que foram convocadas a prestar depoimento sobre o caso. Uma nova sessão foi marcada para o dia 28 para colher a defesa de Witzel.

Entre os ouvidos, estiveram os ex-secretários estaduais Edmar Santos, da Saúde, e Lucas Tristão, de Desenvolvimento Econômico; além do empresário Mário Peixoto e do Pastor Everaldo, ex-presidente nacional do PSC - partido de Witzel.

“Percebemos contradições, novidades e acho que o desafio agora é pegar o conteúdo e cruzar com os documentos que temos, analisando onde as informações se reforçam e onde os dados não combinam”, disse o deputado Waldeck Carneiro (PT), relator do processo.

Apesar do silêncio de parte das testemunhas, o parlamentar fez um balanço positivo para os próximos passos. “De alguma forma, foi prejudicial, mas nós temos agora dois gigabytes de documentos a serem analisados, são milhares de páginas. A gente tem um período de Natal e Ano Novo para ficar com essa tarefa”, analisou.

O deputado Luiz Paulo (Cidadania), que é parte acusadora no processo, afirmou que os depoimentos demonstraram que a Secretaria de Saúde era uma “desorganização absoluta, com ausência de planejamento, onde o manto da corrupção devastava tudo”:

“Saio daqui mais convicto que nunca de que houve crime de responsabilidade de Witzel, focado nos dois eixos que fazem parte da denúncia: as duas organizações sociais. Todos que não vieram aqui e não falaram, o fato de não falarem confirma o que eu vi nas denúncias. Trouxe um dossiê imenso que não consegui de forma clandestina, está lá no site do Ministério Público Federal”, disse.

Processo

O processo contra o governador afastado é baseado em supostos desvios financeiros na área da Saúde durante a pandemia de coronavírus, sobretudo a requalificação da Organização Social de Saúde (OSs) Unir Saúde e as irregularidades na construção de hospitais de campanha junto ao Instituto Iabas.

Investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) apontam que as duas OSs são controladas pelo empresário Mário Peixoto e que o mesmo também teria feito depósitos de R$ 500 mil, através do pagamento de honorários, à então primeira-dama Helena Witzel. Segundo as investigações, os depósitos foram feitos pela empresa DPAD Serviços Diagnósticos LTDA, controlada por Peixoto.

Helena Witzel também seria ouvida pelos deputados e desembargadores, mas foi dispensada do depoimento após pedido baseado em um artigo do Código Penal que a exclui da obrigação de depor por ser cônjuge do réu.

Parte dos convocados também não foi encontrada pelo tribunal e, por isso, foram dados cinco dias para serem disponibilizados novos endereços onde eles possam ser encontrados.



*com informações da Alerj