Cedae diz à Alerj que vai normalizar abastecimento em 48 horas

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) anunciou - em audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (11/12), pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) - que em 48 horas a empresa vai normalizar a distribuição de água no Rio de Janeiro. Mais de 40 bairros da cidade e quatro municípios da Baixada Fluminense enfrentam escassez no fornecimento desde o dia 15 de novembro. O encontro foi marcado para debater os problemas de abastecimento e de saneamento básico no estado, agravados em um momento de crise sanitária.

Segundo o engenheiro ambiental da Cedae, Armando Vieira, já foi realizado um plano de contingenciamento e carros-pipa e água potável serão distribuídos, enquanto o conserto da Elevatória do Lameirão, na Zona Oeste da cidade do Rio, está sendo realizado. O engenheiro explicou que o elevatório foi construído em 1965 e no final de 2018 apresentou problemas, Na época, o dano foi corrigido, mas em outubro outro motor quebrou ocasionando uma redução de 25% na distribuição de água da Cedae. "Já estamos consertando o problema. No dia 18 de dezembro o novo motor chega para a instalação, mas pedimos a contribuição da sociedade para usar a água de forma consciente, dessa forma conseguimos distribuir melhor e evitar que regiões fiquem sem água", ponderou.

O representante da Câmara Técnica da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro. (Agenersa), Roosevelt Brasil, disse que a Cedae já foi multada em R$1,35 milhão pela falha no Lameirão. “A Cedae tinha mais de um motor com problema, há quase dois anos parados. A Agenersa vai continuar apurando o motivo dessa falha", afirmou Brasil.

O defensor público Eduardo Chow destacou que o problema é estrutural e permanente. Segundo Chow, 20% da população do Rio ainda vive em áreas irregulares e não têm atendimento da rede formal de água. " Entendemos o problema específico do Lameirão, mas é preciso pensar qual é a política adotada pelo governo para promover um programa social para que o direito à água seja implementado definitivamente. Durante a pandemia, esse risco foi potencializado e isso não pode se manter assim", disse Chow.

Para minimizar os problemas, o Ministério Público do Rio (MPRJ), a Defensoria Pública e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) buscaram o fornecimento de caminhões-pipas para áreas carentes e detalharam regiões que estão sem água. "Esse é o mínimo que conseguimos fazer, mas uma política de estado que solucione esse problema é fundamental", frisou o coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA) do MPRJ, José Alexandre Maximino.

O defensor Eduardo Chow também destacou que o órgão entrou com uma ação civil pública junto ao Judiciário para garantir o fornecimento e reduzir a discriminação hidrossocial. "Se a água é pouca, não tem que privilegiar determinados bairros. Entendemos que o não acesso à água configura um dano material e moral, que viola a dignidade do cidadão", afirmou.

As atividades econômicas nas áreas periféricas do Rio estão sofrendo o impacto da falta de água, segundo Rejany Ferreira, representante do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara. "A água não chega todos os dias nas regiões mais vulnerabilizadas, periferias e favelas. E, vale ressaltar, que o carro pipa dobrou de preço e estamos falando de pessoas que não tem condição de comprar água?", perguntou.



*com informações da Alerj