Congresso da Argentina aprova legalização do aborto A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta sexta-feira (11) um projeto de lei para legalizar o aborto. Na véspera, manifestantes se reuniram em frente ao Congresso agitando lenços verdes, o que se tornou uma marca de todos que são contrários aos grupos pró-vida. Esta foi a nona vez que um projeto de lei de interrupção voluntária da gravidez tramitou no Congresso argentino.

O projeto de lei, que prevê a interrupção legal da gravidez até a 14ª semana, é apoiado pelo presidente Alberto Fernández. 

O texto foi aprovado pelos deputados com 131 favoráveis e 117 votos contrários após mais de 20 horas de debate. Agora, o projeto segue para o Senado, onde uma votação mais apertada é esperada.

Manifestantes que apoiam o projeto se reuniram ontem (10) do lado de fora do Congresso com lenços verdes para aguardar a votação do projeto, depois de uma tentativa de legalização em 2018 ser derrotada com pouca diferença de votos.

A lei argentina atualmente só permite a interrupção voluntária da gravidez quando há sério risco para a mãe ou em caso de estupro, embora os ativistas digam que muitas mulheres muitas vezes não recebem cuidados adequados.

Se o projeto for aprovado também no Senado, mais conservador, a Argentina se tornará o quarto país a legalizar o aborto na América Latina. Atualmente, apenas Cuba, Guiana e Uruguai possuem legislações que permitem a interrupção legal da gravidez.

Reação

Católicos e evangélicos lideram a ofensiva contra a aprovação da lei por considerar que a vida começa na concepção. Os deputados contrários à lei respaldam o Plano dos Mil Dias, a ser votado logo após o projeto de interrupção voluntária da gestação, mas destacam que não pode servir como compensação.

“A resposta a uma gravidez indesejada tem que ser um Estado que acompanhe essa mulher. Que a criança nasça e que em último caso seja dada em adoção se a mulher não quiser tê-la. Este Governo acredita que dando um pouco de grana resolve tudo”, critica a deputada celeste Cynthia Hotton.