Exclusivo: Governador em exercício do RJ fala à Melodia sobre novos tempos para o Estado

Há cerca de três meses à frente do governo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro reservou um espaço na agenda nessa quarta-feira (08) para falar aos ouvintes da Rádio Melodia. O governador em exercício, que é católico e também cantor, conversou com os apresentadores Fábio Silva e Eliel do Carmo sobre assuntos que têm inquietado a população do Rio de Janeiro como os leitos de hospitais, a vacina da Covid-19, os problemas da Cedae, a Segurança Pública e a volta às aulas. Ele garantiu que, pela primeira vez em 10 anos, o Estado fechará o ano no azul com uma reserva de R$ 600 milhões que poderá ser usada para a compra de vacinas. Cláudio Castro chegou a se emocionar por dois momentos ao lembrar o caso de crianças mortas por balas perdidas e a expectativa em poder voltar a abraçar os irmãos de sua comunidade de fé.

Eliel do Carmo: Governador, é um prazer recebe-lo para esclarecermos assuntos de grande interesse à população do Rio de Janeiro. Vamos começar pela questão da regulação de leitos nos hospitais do Estado.



Governador Cláudio Castro: É uma alegria enorme estar aqui (estúdio Melodia), eu que por tantas vezes já orei, já me diverti com a Rádio Melodia. Poder estar aqui nos microfones conversando um pouquinho é uma honra e uma alegria muito grande. A questão da Covid-19, é óbvio, que nos preocupa muito. Ela ainda não acabou, a Covid está aí e a gente tem que ter os cuidados necessários. Eu tenho feito um clamor para a população, para os empresários... que eles não se descuidem. Mas têm duas coisas que eu não posso deixar de falar.
Uma é que no auge da crise, quando tivemos que fechar as coisas, nós tínhamos 1.300 leitos a mais e, além disso, leitos que foram fechados entre hospitais de campanha e leitos excedentes de Covid. E também tínhamos hospitais totalmente dedicados à Covid-19. Hoje essa realidade é bem diferente. Dos 1.300 leitos, nós já devemos ter voltado com quase 300, além disso os hospitais atualmente se dividem. Como a economia voltou, como as pessoas voltaram a trabalhar, voltaram a se acidentar, voltaram a passar mal com uma frequência maior... então os hospitais hoje não são mais exclusivamente para pacientes com Covid.

O que o governo do estado tem que fazer é ampliar essa base de leitos para que a população, quando chegar ao hospital, quando chegar na UPA, ela tenha toda condição de ser atendida. Naquela época, a regra, o paradigma, era que a pessoa seria internada só se tivesse com mais de 50% do pulmão comprometido. Hoje em dia, não. Hoje em dia todo mundo entende que o tratamento precoce impede a pessoa de ir para o tubo, ficando mais tempo internada. A nossa grande missão hoje é aumentar a testagem, que é o que nós já estamos fazendo. Estamos com três postos e eu determinei a abertura de mais dois postos de testagem, tudo com PCR, não é teste rápido. Começamos agora a fazer o diagnóstico precoce. Ou seja, as pessoas vão, fazem o exame de imagem, a tomografia e têm o remédio. Se a pessoa não precisar ser internada, ela já volta para casa medicada, para que essa lesão no pulmão não aumente. Eu, por exemplo, quando tive, eu estava com 10% do pulmão comprometido. Eu fui para casa, me tratei, e não precisei ser internado. Esse é o tratamento que eu quero dar para toda a população. Se eu, que sou o governador em exercício, tive esse direito, toda a população tem que ter.  Os tomógrafos da prefeitura do Rio, que nós conseguimos com o prefeito Marcelo Crivella, eles estão funcionando 24 horas. Os nossos nove tomógrafos do estado também já estão funcionando 24 horas, para que a população tenha esse exame com maior facilidade.  E a última coisa é uma busca ativa que nós estamos fazendo junto com os agentes comunitários das prefeituras. O governo do estado está dando uma bolsa para esses profissionais, para que eles façam nas comunidades a busca ativa, façam o teste, para que essas pessoas possam começar o tratamento em casa o quanto antes. E também para que a gente diminua a incidência da evolução da doença a ponto de a pessoa ter que ficar internada; ou interne essa pessoa na hora certa para que ela não venha a óbito, não venha a ter uma infecção ainda maior.

E o último ponto tão importante quanto é a fiscalização dos eventos e da atividade econômica. Nós temos que ter uma responsabilidade extra para que a gente não tenha que fechar a economia outra vez.

O lockdown está momentaneamente descartado?

Momentaneamente descartado. Isso eu falo com todas as palavras. Às vezes ficam tentando pegar brechinhas no que a gente fala para dizer o contrário. Mas momentaneamente está descartado.

Outro assunto tão importante e que não podemos fechar os olhos para ele é a questão da violência. Esta semana o senhor se encontrou com as famílias das meninas mortas por bala perdida na sexta-feira (04) em Duque de Caxias. O senhor prometeu rigor nesta questão. Já foram 12 crianças, até agora, assassinadas no Rio de Janeiro só este ano. O que a gente pode fazer com relação a isso, governador?

O Rio de Janeiro tem um problema endêmico que são os narcotraficantes e as milícias. Esse problema está sendo duramente combatido. Estamos fazendo operações quase que semanalmente para combater as milícias. Nós temos que fazer esse combate porque senão daqui a pouco volta ao que era antes da intervenção. Só que esse combate, e eu tenho defendido com as polícias e cobrado, não pode ser o estado permanente de guerra. Então nós já estamos em parceria com a Polícia Rodoviária Federal e com o Exército para que façamos esse controle financeiro, para que a gente asfixie financeiramente. Fizemos outro dia uma operação nas estradas e bloqueamos quase R$ 800 milhões deles, juntamente à Justiça.

Então esse trabalho de inteligência está acontecendo, inclusive não está tendo mais operações porque nós estamos fazendo esse trabalho de asfixia financeira, de prender. Os dados de segurança pública estão despencando a cada dia. Por exemplo, homicídio doloso no Rio de Janeiro hoje é menor do que em 1991, é o menor da série histórica. O roubo de carga já diminuiu drasticamente; o roubo de carga se assemelha muito ao roubo a banco do passado. Às vezes você compra de um ambulante um chocolate e você não entende que esse chocolate é fruto de um roubo de carga e que ele vai financiar esses traficantes e esses milicianos. Então a gente tem que tomar muito cuidado em não comprar produto pirata, não comprar produto sem nota fiscal. Tenha certeza, infelizmente, indiretamente a gente está financiando o crime da mesma forma que compra droga, que compra arma ilegal.

Então, é de responsabilidade do estado, mas também da população ter a consciência. Outro dia mesmo eu fui numa loja de chocolate no centro e tinha um ambulante vendendo o mesmo chocolate do lado de fora a um terço do valor. Como ele consegue vender aquele produto tão barato? A loja ainda paga funcionário, ainda paga imposto. Quando a gente fala em imposto não é um imposto para mim, é um imposto que eu vou reverter em saúde, em educação, em segurança pública, em infraestrutura... É toda uma cadeia.

Infelizmente existem efeitos colaterais tristes que são as vítimas dessa guerra que às vezes acontece. São 12 crianças, são 12 histórias, são 12 vidas, são 12 famílias. Eu falei para as mães e para os pais da realidade que eu venho, da realidade de missionário, de cantor, eu não venho da política tradicional. O meu maior desafio hoje é não tratar as pessoas como um número, porque quando a gente trata com muitas vidas, muita coisa, são 100 mil pessoas ali, 30 mil ali, 1 milhão ali, a gente trabalha com estatística não com o valor que a vida tem.

Sobretudo para o Evangelho, a gente sabe de fato o que é isso biblicamente, não é?

Exatamente. Eu falei isso para as famílias, como missionário, como pai. A minha filha tem a mesma idade que Emilly tinha. E eu falei para ela ‘olha, eu cheguei em casa ontem, ainda abracei minha família, eu senti a dor que você sentiu, você não pode abraçar sua filha hoje’, da mesma forma também, e não pode ser diferente, do Cabo Cardoso, que foi assassinado cruelmente, covardemente por um bandido que lutamos até prendê-lo e ele se entregou porque ia ser preso. Então, e a vida do policial importa tanto. São dois lados de um filme triste, mas que é a nossa missão combater esse crime organizado. Porque se não fizermos, vai ser muito pior para a população.

Governador, e a Cedae? A Cedae está há um tempo nessa privatiza, não privatiza. Como está essa questão?

Muitas pessoas, hoje, quase 60% da nossa população, não têm esgoto em casa, e quase 30% não têm água em casa. O Novo Marco do Saneamento fala que tem que ser universalizado isso, ou seja, cada pessoa tem que ter direito ao saneamento básico e à água. Infelizmente, nenhum estado tem; o poder público não tem condições. Isso seria investimento na casa de R$ 40 bilhões. Só nos próximos 10 anos, entre R$ 20 e R$ 23 bilhões. O governo do estado não tem condição de fazer esse investimento. Então, vender a Cedae não é para o estado botar dinheiro no bolso. A principal motivação de se concessionar a Cedae é para que essa água e esse esgoto cheguem na porta de cada morador desse estado. Além disso, são previstos mais de 5 mil empregos diretos, limpeza de rios e canais, a despoluição de tantos rios nossos, tem toda uma estrutura. Só na Baía de Guanabara, o investimento para a despoluição dela é de R$ 3 bilhões. Então, hoje a concessão do serviço da Cedae tem que ser feita. Lembrando que a Cedae vai continuar existindo, mas ela vai ser produtora da água, a gente tem que fazer o Guandu 2, com investimentos também na casa de R$ 3 bilhões, para que não tenha problema com a geosmina e tudo aquilo que a gente teve no ano passado e começo deste ano. Eu queria aqui me desculpar com toda a população que hoje está sofrendo com a falta d’água. Nós estamos com um problema grave na Elevatória do Lameirão. Peço a todos que entendam – eu acho que esse processo de transparência é fundamental – são nove motores, sete em funcionamento, dois de reserva.

Em 2018 um dos motores quebrou, ficou em licitação, era para ter sido entregue em abril deste ano, e não foi por causa da pandemia. É um material que a gente só consegue importar do Chile. Eles iriam entregar no próximo mês, mas nós estamos antecipando essa entrega. E uma coisa que nunca tinha acontecido em 60 anos, quebraram outras duas bombas juntas, em um só mês! Nunca tinha acontecido isso na história, infelizmente aconteceu duas bombas quebraram juntas.

Então, nós já tínhamos uma em reparo, temos duas reservas. Uma em reparo, botou a reserva para funcionar. Quando quebrou essa segunda, botamos a segunda reserva. Infelizmente, em um mês, quebrou outra. Essa bomba é uma bomba de 35 toneladas que fica debaixo da terra, na altura de um prédio de 25 andares. Então, é um reparo muito complexo. A gente pede desculpa, perdão, à população. Em momento algum estou dizendo que a gente não tem culpa. É uma culpa nossa, nós assumimos isso, infelizmente é uma fatalidade, mas não nos exime disso, não nos exime de pedir perdão. Eu queria, inclusive, anunciar que essas pessoas que estão sem água, aquelas que têm hidrômetro, terão um desconto imediato na conta, e aquelas que não têm hidrômetro devem procurar a Cedae. Mostre onde é a sua casa que a Cedae não cobrará a conta de quem não teve o serviço prestado. Isso é um compromisso meu com a sociedade.

Antes do Natal estará tudo regularizado. A previsão é de que chegue o material no dia 18 próximo, e aí em até 3 dias já estará todo o funcionamento normalizado. As pessoas não vão passar o Natal sem o serviço de água.

Governador, essa foi uma das suas primeiras ações, ir a Brasília para ver a questão da recuperação fiscal do estado. A gente vai conseguir prorrogar isso?

São três caminhos que nós estamos trilhando, todos eles têm uma premissa básica que é o diálogo. A gente retomou o diálogo com o governo federal, com as prefeituras, a gente tem feito um processo grande de diálogo. Um dos caminhos foi o que nós fizemos de propor - graças a uma decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) que entendeu que naquela época tinha uma briga política e não queria que essa briga política chegasse à decisão final, então o TCU proibiu tirar o Rio do regime, contanto que o Rio apresentasse tudo que vinha fazendo. Nós apresentamos tudo o que vínhamos fazendo, ganhamos um grande elogio da Secretaria do Tesouro Nacional e do Conselho Federal de Recuperação Fiscal no corte de despesas. O estado do Rio de Janeiro evoluiu muito na questão de despesa.

Só esse ano nós bloqueamos 11 mil cargos, que é uma economia na casa de R$ 1,5 bilhão por ano. Fizemos um corte na carne, na máquina, uma economia para a população, porque é o dinheiro que a gente reverte para a saúde, para a educação. Vamos conseguir fechar esse ano no azul depois de quase 10 anos fechando no negativo. E a gente vai fazer a inscrição do que resta a pagar – o que é isso, é aquela dívida que você não paga e você joga para o ano seguinte, o boleto que você coloca na gaveta para pagar em janeiro – nós vamos inscrever o menor restos a pagar desde 2013.

É uma luta incansável, tanto que, depois de quatro ou cinco anos, nós conseguimos pagar o salário desse mês no dia 1º e pagaremos o 13º integral no dia 15 agora. Foram três salários em 30 dias. Dia 13 de novembro, pagamos o salário de outubro, dia 1º de dezembro pagamos o salário de novembro e dia 15 de dezembro pagaremos o 13º. É uma injeção na economia importante neste mês que nós sabemos a importância que tem para o comércio, que precisa respirar de novo, além dos bares, restaurantes, e demais serviços. Foi um ano muito difícil e a gente espera que, com essa retomada da economia, possa fazer um ano de 2021 melhor.

E deixa eu falar uma coisa rapidinho aqui. Quando a gente fala que não vai fechar por causa da economia, as pessoas têm uma sensação e uma visão que a gente está pensando no rico, no grande empresário. Quando eu falo em economia, meus irmãos, eu estou pensando no mais pobre. Economia é que faz gerar aquele emprego do mais pobre, que, infelizmente, é o primeiro emprego a ir embora.

Quando a gente fala em não deixar a economia fechar, é não deixar o carregador, o garçom, o assistente de serviços gerais, a pessoa que faz a limpeza, o auxiliar do caminhoneiro, o barqueiro, o guardador de carro, o manobrista, esses que são os nossos mais pobres, esses que são os primeiros a sofrer e a passar fome. Quando defendemos que a economia tem que estar pujante, é porque definimos esse emprego do mais pobre, é esse que vai ficar o Natal em casa sem ter uma ceia. Não é o empresário rico. Esse tem sua reserva, passa um aperto aqui, aperta o cinto ali. Essa necessidade básica e pessoal não é do grande empresário, é do dono de pequeno comércio, que gera dois ou três empregos, da loja de roupa, da padaria, esse é o que vai ter dificuldade. Então quando a gente fala em economia, está pensando naquele irmão mais pobre, não só no grande empresário.

Alguns estados já estão se mobilizando nessa questão da vacina. Como está o Rio de Janeiro nessa questão, governador?

O Rio de Janeiro está muito alinhado com o Ministério da Saúde. Hoje (08), tem uma reunião virtual com o ministro Pazuello, às 11h. O que o Rio espera hoje? O Rio espera hoje que a autoridade máxima sanitária, que é a Anvisa, ateste que vacina X, Y, Z funciona. Eu não vou comprar uma vacina onde eu não tenho a comprovação do nosso órgão máximo de vigilância sanitária. Eu não vou aplicar algo no corpo das pessoas, em primeiro lugar que não será obrigatório. Não existe nada disso de você ingerir uma coisa no seu corpo de forma obrigatória. Eu, por exemplo, já tive Covid, a princípio já estou imunizado, por que eu tenho que tomar a vacina? Eu não entendo porque, ninguém tecnicamente, ainda conseguiu me convencer porque eu, que já tive, tenha que tomar vacina.

Então, nós estamos conversando com várias dessas, a primeira que for cadastrada e reconhecida pela Anvisa como de eficácia garantida, o Rio de Janeiro procurará imediatamente. Em primeiro lugar, a gente está junto com o Ministério da Saúde no plano nacional de vacinação, mas nós também estamos fazendo nossa parte. Se for demorar a compra do governo federal por ser uma compra muito grande - a gente sabe que às vezes uma compra muito grande tem uma logística de entrega complicada – o Rio de Janeiro, com esse recurso que sobrou do fim do ano - vai sobrar na casa de R$ 600 milhões – esse recurso está totalmente reservado para que a gente faça uma compra de vacina para, no mínimo, atender profissionais de saúde, idosos, e eu ainda quero botar os profissionais de educação na lista de prioridade.

Eu queria fazer um clamor aos professores. As nossas crianças e os nossos jovens precisam voltar às aulas da maneira correta, com a proteção. Esse déficit educacional é impagável e não se recupera. Nós precisamos voltar ano que vem. Nós deixamos professores que têm comorbidade ou professores que estão na faixa de risco ficarem fora, mas aqueles que estão trabalhando não nos deixemos enganar por aquelas pessoas que, por questões ideológicas, não querem voltar às aulas. Precisamos voltar às aulas. As nossas crianças precisam voltar a ter aula. Os nossos jovens que vão se preparar para o Enem agora precisam ter aula. Eles precisam entrar para a universidade.

Já tem alguma coisa nesse sentido para 2021?

Voltaremos às aulas, todas presenciais. Estamos negociando com os sindicatos e precisamos dessa sensibilidade dos professores, pois essa perda é inigualável.

Fábio Silva, um grande deputado, um lutador também pelo nosso estado, eu acho que esse ano a gente conseguiu sentir muito a presença do Senhor. A gente percebeu o quanto o outro faz falta na nossa vida. Jesus muitas vezes falava para a gente que a fé não é abstrata, a fé é o que a gente faz pelo outro, o que a gente materializa. Tem aquela passagem clássica que ele fala ‘tive fome e não me destes de comer, estava nu e não me vestistes, estive preso e não pôde me visitar’ e os discípulos falavam ‘mas onde que teve assim?’ e Ele falou assim ‘quando você não fez a um dos meus’.

Eu acredito que quando a gente olha para o ser humano, a gente olha para aquele irmão, para aquela pessoa que mais sofre, é para o próprio Jesus que a gente está fazendo. E esse ano foi um ano sombrio, foi um ano de falta de amor, de falta desse amor trocado, esse amor que a gente troca com esse irmão. Mas eu não tenho dúvida que vai passar essa noite traiçoeira e que terá um dia de sol preparado para nós ano que vem. Tenho certeza que o Senhor está preparando um ano maravilhoso.

Esse ano talvez tenha sido o ano de a gente se fortalecer na fé. Às vezes sem poder ir à igreja, manter a fé é uma coisa muito difícil. Foi um ano que a nossa fé teve que ser testada mesmo. Foi um ano de provação, porque quando a gente tem o compromisso semanal, eu como católico mais no dominical, aquilo já está no seu dia a dia, então muitas vezes você vai porque tem que ir. Tem aquele dia que você está naquele almoço, naquele churrasco e dá uma preguiça, mas é o seu compromisso, e quando você chega lá, Deus faz a obra, independentemente se você queria ir lá ou não. Esse ano, impedidos de ir à igreja, esse abastecimento ficou deficitário. E Deus, não tenho dúvida, está preparando esse próximo ano para a gente voltar a se abraçar, voltar a trocar esse amor, voltar a amar o próximo como a gente sempre amou, não é?