Globo só demitiu Marcius Melhem, acusado de assédios sexuais, após pressão de profissionais

O humorista demitido da TV Globo, Marcius Melhem, assediou sexualmente a então colega Dani Calabresa em um bar de Botafogo, Zona Sul do Rio, em 2015. O caso, que foi o primeiro de uma série de ocorrências pelas quais as vítimas acusam Melhem, foi relatado pelo colunista João Batista Jr, da Revista Piauí.

O primeiro assédio aconteceu no bar ‘Vizinha 123’, no bairro de Botafogo, em uma comemoração da equipe do programa humorístico da Globo, ‘Zorra’, que foi encabeçado por Melhem. Na ocasião, ele tentou beijar e ter relações sexuais a força, na porta de um banheiro, com a humorista Dani Calabresa, que conseguiu se desvencilhar e foi acudida aos prantos por amigos.

Segundo a reportagem da Piauí, Dani Calabresa continuou sofrendo assédios até o ano de 2019, quando se desligou do programa. Amigos contaram que a humorista tomava medicamentos contra a ansiedade e entrava em pânico quando ia aos estúdios da Globo trabalhar.

Mais denúncias, "tolerância" e desligamento

Em outubro deste ano veio à tona uma série de acusações de assédio contra Melhem, todas de funcionárias da Globo. A primeira denúncia, de Calabresa, já havia chegado nas mãos da emissora em dezembro do ano passado e foi seguida por relatos de outras vítimas, mas o acusado só foi desligado, “em comum acordo”, da Globo em agosto deste ano, após pressões de um grupo de 30 profissionais da emissora, liderados pelo humorista Marcelo Adnet, ex-marido de Calabresa, que não aceitavam a “tolerância” ao caso.

Na revelação dos casos, em outubro, a advogada Mayra Cotta, que representa as vítimas, detalhou as denúncias:

“Houve um comportamento recorrente, de trancar mulheres em espaços e as tentar agarrar, contra a vontade delas. De insistir e ficar mandando mensagem inclusive de teor sexual para mulheres que ele decidia se iam ser escaladas ou não para trabalhar, se ia ter cena ou não para elas” – contou à Folha de São Paulo.

“Foram casos de assédio sexual mesmo. De mulheres falando não, não quero, me solta, não vou beijar, não vou ficar com você. E ele tentando, agarrando. Não tem zona cinzenta, isso é violência. E aí tem algo muito sério: ele era chefe delas. Ele tinha posição de poder.” – completou a advogada em entrevista à jornalista Mônica Bergamo.