Governo e Prefeitura do Rio analisam retomada das medidas de restrição

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, se reuniram na manhã de hoje (03) com seus respectivos secretários de Saúde para definir se as medidas de isolamento social devem ser retomadas. A reunião aconteceu após o Comitê Científico da Prefeitura do Rio, formado para analisar a situação da pandemia de Covid-19, sugerir o retorno de medidas de isolamento social na cidade para conter o crescimento do número de casos.

Entre as medidas sugeridas, estão o fechamento de escolas; a proibição de banhistas nas praias; o fechamento mais cedo de bares e restaurantes e a fiscalização em estações do BRT e metrô para que efetivamente o uso de máscaras se torne obrigatório.

Na última semana, Castro foi categórico ao dizer que não haveria lockdown no Rio de Janeiro. Mas pesquisadores do Grupo de Trabalho Multidisciplinar para o Enfrentamento da Covid-19, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ressaltam que declarações de autoridades afirmando que não haverá recuo na flexibilização agravam o problema. 

Ocupação de leitos


A média móvel de casos no Estado continua em alta, de 44% na comparação com os últimos 14 dias, e com o maior índice desde o fim de agosto: 2.486 infectados por dia.

A média móvel de mortes, por sua vez, apresenta uma queda de 29% em relação a duas semanas, o que normalmente indicaria um cenário de diminuição no contágio. No entanto, o cálculo é prejudicado pela soma de quatro datas no início de novembro em que não foram atualizados dados sobre óbitos no RJ, devido a um problema no sistema do Ministério da Saúde. Neste momento, um possível novo avanço da pandemia, principalmente na capital, pode ser traduzido de forma mais fidedigna quando observa-se a situação dos leitos de UTI, que há dias têm filas por vagas.

De acordo com a última atualização, divulgada pela prefeitura no início da noite de ontem (02), a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede SUS municipal, que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais, é de 90% (552 pacientes), e de 80% nas enfermarias. Ao todo, são 1.286 internações.

Há, na capital e na Baixada, 333 pacientes na fila por leitos da rede SUS da Região Metropolitana I, sendo 172 para UTI. De acordo com o município, todos assistidos em leitos de unidades com monitores e respiradores. Como há 552 internados nos cerca de 613 leitos de UTI disponíveis hoje na rede, é possível afirmar que a demanda é maior que a oferta de vagas — excede em 111 pacientes.

Levando em consideração apenas a rede municipal do Rio, há 280 pacientes internados em leitos de UTI, o que representa 97% de ocupação nos 288 disponíveis. Há ainda 368 em enfermarias.

Na rede privada, a situação também é preocupante. De acordo com a Associação de Hospitais Particulares do Rio, há 98% de lotação nos leitos de UTI da capital.