Pesquisadores da UFRJ sugerem bloqueio de praias para controlar aumento de casos de Covid-19

O avanço da pandemia de coronavírus no Rio de Janeiro levou pesquisadores do Grupo de Trabalho Multidisciplinar para o Enfrentamento da Covid-19, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a recomendarem medidas urgentes para conter o número de casos, óbitos e internações registrados em novembro.

A ampliação do número de leitos e da testagem, o bloqueio das praias, a suspensão de eventos e a limitação do horário de funcionamento dos estabelecimentos, com fiscalização rigorosa estão entre as orientações sugeridas.

"No Brasil, assistimos ao aumento acelerado de casos, sem ter ocorrido o término da primeira onda. Os dados sugerem uma nova onda sobrepondo-se à primeira. Isso torna o problema mais grave e complexo. A população está há mais de oito meses com restrições de mobilidade. No entanto, muitos, especialmente os mais jovens, têm se aglomerado em festas, bares, praias e outros eventos sociais. O processo eleitoral, fundamental à democracia, também gerou aglomerações. Atualmente, a mobilidade no estado do Rio de Janeiro tende a se aproximar daquela de antes da decretação do isolamento social", avalia nota técnica assinada pelo grupo.

Os especialistas ressaltam que declarações de autoridades afirmando que não haverá recuo na flexibilização agravam o problema.

Lockdown

As recomendações incluem a avaliação de um decreto de lockdown [confinamento rigoroso] caso o cenário epidemiológico da doença se mantenha ou se agrave. Os cientistas consideram que a situação do município do Rio é muito preocupante, já que há um aumento sustentado de casos desde 10 de outubro. O documento acrescenta que o número de testes positivos de covid-19 no Centro de Triagem e Diagnóstico (CTD) da UFRJ também cresceu de forma sustentada desde outubro.

"Como reflexo disso, existe grande sobrecarga nas emergências dos hospitais e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O risco de ocorrerem óbitos sem que o paciente seja internado é elevadíssimo. São dados extremamente preocupantes. Estamos evoluindo em curto período para o colapso da rede de assistência aos pacientes, especialmente os mais graves", alerta o documento.

As recomendações relacionadas ao serviço de saúde são a abertura imediata de leitos hospitalares, a contratação de profissionais e a aquisição de equipamentos e insumos para esses leitos, a realização de testagem por RT-PCR de todos os casos suspeitos e o rastreio e isolamento de quem teve contato com os casos confirmados.

Os pesquisadores recomendam ainda o reforço das campanhas sobre as medidas preventivas e a ampliação da oferta de transporte público, que a nota técnica considera provável foco de disseminação do vírus.

Em relação às medidas de flexibilização, os especialistas consideram que é preciso fiscalizar rigorosamente estabelecimentos abertos e limitar seu horário de funcionamento, o fechamento das praias e a suspensão imediatas de eventos sociais, esportivos e culturais.