Escritor fala em O pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Nailton Luiz dos Santos conseguiu na Justiça a remoção da conta do escritor João Paulo Cuenca do Twitter. O pedido foi aceito pelo juiz Ralph Machado Manhães Júnior, da comarca de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Em junho, Cuenca postou em seu perfil que o “brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”. O escritor se defendeu, lembrando que sua publicação parafraseia um texto do sacerdote católico francês Jean Meslier, que viveu entre os séculos XVII e XVIII, e alcançou maior notoriedade quando, após a sua morte, foi encontrado um tratado de nome "Extrait des sentiments", em que promovia o ateísmo. Na obra, está contida a frase: “o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.

Segundo a decisão da Justiça do Rio, a conta deve ser excluída porque “não obstante ser reconhecido o direito constitucional da liberdade de expressão, no caso em tela, há a extrapolação do referido direito, pois a postagem do réu é ofensiva e incitatória à prática de crime ao incitar claramente a violência contra grande parte da população”.

O pastor Nailton Luiz dos Santos também pede indenização no valor de R$ 10 mil por danos morais. O processo movido na comarca de Campos é apenas um entre dezenas de outros impetrados contra o escritor por pastores da Igreja Universal em todo o país.

João Paulo Cuenca está atualmente sendo processado por 134 pastores da Igreja Universal do Reino de Deus em todo o país, e a soma dos requerimentos de indenização somam R$ 2, 3 milhões. Para Fernando Hideo Lacerda, sócio do escritório Serrano, Hideo e Medeiros Advogados, que representa o escritor, a decisão do juiz Manhães Junior contraria o Estado Democrático de Direito.

No último dia 17 de novembro, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) apresentou representação ao Ministério Público Federal para a abertura de inquérito civil que apure uma suposta perseguição de pastores da Universal contra o escritor.

O escritor garante que fez apenas uma metáfora e não clamou pelo enforcamento de ninguém.

A postagem do escritor João Paulo Cuenca também levou o Deutsche Welle — veículo de comunicação social da Alemanha, onde o autor publicava uma coluna — a dispensá-lo. Segundo o veículo, a postagem de Cuenca contraria os valores da empresa.