Funcionária do Carrefour presa por morte de João Beto tem contradições em depoimento

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga se a funcionária do Carrefour presa por participação na morte de João Beto mentiu em seu depoimento. Adriana Alves Dutra foi detida temporariamente nesta terça-feira (24) após inconsistências em seu depoimento.

Adriana era agente de fiscalização do Carrefour e aparece de blusa branca no vídeo que mostra João Beto, homem negro de 40 anos, sendo espancado até a morte, na última quinta-feira (19). Ela alegou que não ouviu os pedidos de socorro do homem enquanto sofria as agressões, mas no vídeo fica claro que ele diz algumas vezes “socorro” e “estou morrendo”.

Segundo a polícia, a funcionária tinha poder hierárquico para fazer a agressão cessar, já que era superior dos seguranças, mas, pelo contrário, Adriana não interviu e ainda filmou o espancamento. Nas filmagens também é possível ouvir quando Adriana diz que os seguranças não iam soltar ou sair de cima da vítima porque João poderia “agredir” os funcionários “novamente”. Os primeiros laudos apontaram morte por asfixia.

Em seu depoimento, Adriana afirmou que um dos seguranças envolvidos na ação era cliente do supermercado, mas foi comprovado que ele era funcionário da empresa Vector, contratada pelo Carrefour. Ela também disse que João Beto havia empurrado uma senhora dentro da loja, mas não há imagens da possível agressão.

Adriana teve prisão temporária decretada, válida por 30 dias. Ela também foi demitida pelo Carrefour.