Advogado explica como fugir do golpe do falso boleto


Por mais que a tecnologia já tome conta de nossas vidas e muitas das transações sejam eletrônicas, uma das formas de pagamento mais utilizada pelas pessoas ainda é o boleto bancário. Por ser prático e de fácil acesso, muitos optam por pagar contas dessa maneira, principalmente as pessoas com maior idade.


Mas o que parece ser simples e seguro, pode se tornar um problema, principalmente em meio a uma pandemia que deixa as pessoas no limite, fazendo com que muitas vezes tomem decisões erradas.


O golpe da cobrança com boleto falso, que é muito comum na internet, agora ficou mais sofisticado e perigoso, os bandidos estão montando centrais de atendimento e conseguindo informações de contratos de bancos, financeiras, lojas, escolas, operadoras de telefonia e TV a cabo, e agindo como verdadeiras empresas de cobrança, ligando ou enviando mensagens via WhatsApp para os devedores, propondo acordos com um valor muito abaixo do débito, que claro, os devedores sempre aceitam.


Após a negociação fechada, essas falsas empresas de cobranças, montam um boleto adulterado (falso), igual ao original, com todos os dados bancários ou código de barras do banco do credor, mas o valor pago não é direcionado para o credor, e sim para um destinatário desconhecido. Esse tipo de fraude acontece principalmente por meio de emissão de boletos que são enviados por sites, e-mail e WhatsApp.


Após realizar o pagamento do boleto falso, o devedor acaba descobrindo que foi enganado, porque após algum tempo uma empresa de cobranças autorizada fará a cobrança do boleto que já teria sido pago, e então o consumidor percebe que foi vítima do golpe do boleto falso.


Não é incomum encontrar alguém que já tenha passado por isso ou que quase caiu na armadilha. Segundo o site Reclame Aqui, o número de queixas desse tipo vem aumentando a cada dia.


Afonso Morais, sócio da Morais Advogados Associados, orienta a quem sofrer o golpe do pagamento de dívidas com um boleto falso, a fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima, juntando todos os documentos que possui, como textos impressos das conservas que manteve via WhatsApp, o boleto fraudado, ou outros contatos realizados.


Com isso as autoridades competentes tomam providências de prender os estelionatários ou, pelo menos, coibir novas fraudes contra outros consumidores. Após a elaboração do boletim de ocorrência, é preciso procurar os credores, contudo, dependendo do tipo de fraude, as empresas não terão responsabilidade de reembolsar o consumidor.


O que fazer para se proteger contra este tipo de golpe?

Dr. Afonso Morais
: Quando for cobrado por um escritório jurídico ou uma empresa de cobranças, certifique-se que estes cobradores estão autorizados a negociar o seu débito com o credor ou peça algum documento que autorize a empresa a cobrar o débito, porque é na cobrança que começa a fraude do boleto falso.
Nenhum credor, seja banco, financeira, loja, ou outro concede redução do débito de uma dívida em 80%, e é esta estratégia que usam os estelionatários para convencer os consumidores a pagarem boletos falsos sem o devido contato.


É possível reconhecer um boleto falso?

O boleto falso traz algumas características que podem ser facilmente checadas pelo usuário. Veja se os dígitos finais representam o valor do boleto: se são diferentes, é possível que seja golpe. Caso seja uma cobrança recorrente, como boleto de financiamento de veículo (onde ocorre o maior número de fraudes), fatura da TV a cabo, boleto da escola dos filhos que costuma vir com valor fixo, suspeite se houver alguma variação inesperada. Confirme também seus dados pessoais, como CPF e busque por erros de português e de formatação.
Verifique ainda se os primeiros dígitos do código de pagamento coincidem com o código do banco que aparece como sendo o emissor do boleto. Também antes de efetivar o pagamento, verifique se o cedente do boleto é a instituição que realmente você está devendo, se for diferente não efetive o pagamento. Os números bancários podem ser checados no site da Febraban (https://www.febraban.org.br/associados/utilitarios/bancos.asp).


Como é possível saber se a empresa que faz a cobrança é mesmo uma representante do cobrador?

Se o boleto é emitido por uma financeira, banco ou loja, pesquise a reputação da empresa no Reclame Aqui para se certificar de que ela de fato existe. Se for cobrado por uma empresa de cobranças, verifique junto ao credor se ela está autorizada a negociar o seu débito e emitir boletos.
Em caso de compras online, opte sempre que possível por outros meios de pagamentos que não envolvam boleto. Plataformas como Mercado Pago, PagSeguro e demais meios digitais oferecem mais segurança quando atuam como intermediárias e podem ser acionadas se algo der errado na transação.


Qual o melhor meio para se pagar um boleto?

Em qualquer boleto, prefira sempre ler o código de barras pela câmera do celular ou no caixa eletrônico. Em geral, boletos com linha digitável adulterada não trazem código de barras compatível e precisam forçar a vítima a digitar a sequência manualmente para completar o golpe. Um documento com barras ilegíveis, portanto, tem maiores chances de ser fraudulento.


Boletos enviados por e-mail ou por WhatsApp são confiáveis?

Sempre que possível, é importante baixar boletos diretamente no site do banco ou da empresa que está fazendo a cobrança. Duvide sempre de boletos que chegam por e-mail, especialmente quando a mensagem traz um assunto como "Urgente" ou "Seu nome está no Serasa". Uma boa maneira de driblar esse tipo de problema é usando um serviço de e-mail com bom sistema de anti-spam, como o Gmail. O mesmo vale para faturas que chegam via WhatsApp.
Em golpes mais sofisticados, um boleto falso pode até mesmos ser enviado para a casa da vítima. Nessa modalidade, o documento pode vir com visual idêntico ao original, incluindo envelope com carimbo e remetente real.


Existem outros meios de se proteger contra um boleto falso?

Ao fazer download do boleto no site do credor, certifique-se de que está acessando a página verdadeira e de que o endereço começa por HTTPS. Páginas seguras trazem o selo do certificado SSL que assegura contra invasões e garante maior confiabilidade para o documento que está sendo baixado.


Evite também se conectar em redes públicas, que são mais suscetíveis a ataques no roteador capazes de falsificar páginas visitadas. Em golpes mais avançados, o criminoso pode interceptar o acesso e alterar um boleto aparentemente baixado do site oficial do banco. Por isso, opte sempre por fazer o download em uma rede segura e com senha, ou pela Internet móvel do celular.
Na hora de pagar uma conta é importante certificar-se da procedência do site, origem do e-mail e dados do código de barra. Empresas só enviam a segunda via quando o documento é solicitado pelo cliente, caso contrário, desconfie.