Homem morto no Carrefour era filho de pastor, mas frequentava a umbanda

O corpo de João Alberto Silveira Freitas, o Beto Freitas ou Nego Freitas, assassinado por seguranças em um Carrefour de Porto Alegre, foi sepultado ao som de “A Alma Abatida”, da Harpa Cristã. Um hino escolhido pelo seu pai, o pastor João Batista Rodrigues Freitas, de 65 anos, para a cerimônia realizada no sábado (21).

Beto era o segundo filho de um casal dedicado à família. Após a morte da mãe, há cerca de três anos, Beto se aproximou ainda mais do pai, aposentado e pastor há cerca de quatro anos.

“Eu acordava e ligava para ele todo dia. A gente se falava duas vezes por dia e nos víamos sempre”, contou o pastor ao jornal Folha de São Paulo. Mas a aproximação não foi suficiente para que, assim como o pai, Beto se rendesse a Cristo. Ele era tamboreiro da religião umbanda.

“Talvez por isso e por carregar seus fios de contas no pescoço tenha chamado a atenção”, contou Flávio Chaves, que era vizinho desde a infância de João Beto.

Pai jovem, a primeira filha de Beto, Thaís Freitas, nasceu quando ele tinha entre 17 e 18 anos. Logo após a paternidade, Beto foi matriculado por Batista em um curso de mecânica de máquinas pesadas e depois em outro curso de mecânica de automóveis, o que permitiu que Beto trabalhasse em oficinas por um tempo. Ele também trabalhou com serviços gerais, com foco em jardinagem, e em uma empresa terceirizada dos Correios.

A segunda esposa de Beto, Marilene Santos Manuel, 40, com quem teve três filhos, rendeu-lhe o relacionamento mais duradouro. Foram quase 20 anos juntos.

No entanto, as brigas do casal eram constantes. Beto foi preso duas vezes, enquadrado na Lei Maria da Penha, por agredir a companheira. Passou seis meses preso e, quando saiu, não podia mais se aproximar dela devido a uma medida restritiva.

“Foi quando ele foi morar com a Milena”, explica Batista. Milena Borges Alves, de 43 anos, acompanhava Beto no dia em que ele foi morto.