Manuela D’Ávila esquece pandemia e convoca manifestações contra o Carrefour A candidata à prefeitura de Porto Alegre, Manuela D’Ávila (PCdoB), que em março usou as rede sociais para criticar o presidente Jair Bolsonaro pelo fato de ele dizer que o Brasil não poderia para em meio à pandemia parece ter mudado de opinião com relação ao isolamento social para enfrentamento do coronavírus. Manuela usou o Twitter na sexta-feira (20) para convocar manifestações em frente a lojas do Carrefour.

O supermercado tem sofrido uma onda de boicotes desde sexta, quando um vídeo viralizou na internet ao mostrar João Alberto, de 40 anos, sendo espancado até a morte dentro de uma loja do Carrefour em Porto Alegre.

Os dois acusados pelas agressões foram presos. Mas a candidata entende que é preciso boicotar o Carrefour, mesmo sem deixar claro sobre qual punição seria mais adequada a ele, além da depredação e aglomeração de pessoas gritando palavras de ordem.

Ao comentar a mudança brusca de comportamento de Manuela, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) disse: “Parece que o vírus tem seleção ideológica”.

Família reprova uso político dos protestos

Uma onda de manifestações sucedeu o assassinato. Houve violentos protestos em Porto Alegre, São Paulo, Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro. Mas, para familiares e amigos de Beto, ou Nego Beto, entidades políticas e sociais tentaram se apropriar do ato.

Neste sábado (21), logo após o sepultamento, Thais Freitas, 22, filha mais velha de Beto, contou que viu pessoas distribuírem panfletos de políticos para os manifestantes. Durante o ato, entidades como a CUT e pessoas filiadas a partidos entoaram palavras de ordem contra o racismo e também contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Para o presidente da Liga Passo D Areia de Futebol e amigo de Beto, Paulão Paqueta, 50, que pediu para ter seu nome reproduzido dessa forma, o que aconteceu no protesto foi "absurdo". Paqueta afirma que muitas vezes mal podia escutar a manifestação e as falas de familiares e amigos por causa de um carro de som que teria sido levado ao protesto por entidades políticas que ele não soube nomear.

Várias lojas do Carrefour foram vandalizadas. A imagem de uma funcionária, também negra, tentando apagar o fogo nas prateleiras mostra o desespero de quem tenta salvar literalmente o seu emprego.

Nas manifestações Beto tem sido apontado como vítima de racismo. No entanto, a delegada Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre, responsável pela investigação, disse que não se trata de racismo. O inquérito apura a motivação das agressões.

A chefe da Polícia Civil, Nadine Anflor, afirmou que é impossível negar que o racismo estrutural existe, mas que é precoce nesse momento elucidar o caso e que a motivação está sendo investigada.