Vacina da Pfizer é a primeira a concluir testes finais da fase 3 e segue para aprovação nos EUA

A vacina contra a Covid-19 da Pfizer e da BioNTech finalizou os estudos da fase 3 e está pronta para ser aprovada. O anúncio foi feito hoje por representantes das duas farmacêuticas, que vão pedir sua aprovação para uso emergencial ao FDA americano, órgão que regulamenta medicamentos nos Estados Unidos. Governo Federal brasileiro também busca acordo.

Ainda falta publicar os dados em uma revista científica, mas o mundo nunca esteve tão perto da aprovação de uma vacina eficaz contra a Covid-19. O imunizante produzido pela Pfizer manteve os cerca de 95% de eficácia contra a doença observados nas análises preliminares, depois que o estudo da fase 3 foi concluído pela empresa.

Segundo a Pfizer, 170 voluntários dos testes pegaram a Covid durante o estudo, mas apenas oito deles haviam tomado a vacina. Os outros 162 receberam o placebo, uma substância sem efeito, que serve para controle. Esses números indicam uma eficácia altíssima de cerca de 95% e, segundo a empresa, a taxa não foi menor entre pessoas com mais de 60 anos.

O estudo também atestou a segurança da vacina, com poucos efeitos colaterais, entre eles fadiga, em 4% dos voluntários, e dor de cabeça, em 2%. Segundo o anúncio da Pfizer, a imunidade conferida aos vacinados deve durar pelo menos um ano.

Brasil busca acordo para fornecimento

A Pfizer deverá agora pedir a aprovação da vacina para o uso emergencial na agência reguladora dos Estados Unidos, FDA, e, posteriormente, nos órgãos europeus. As agências estavam dispostas a aprovar uma vacina segura que protegesse pelo menos 50% dos vacinados, então, a da Pfizer, com mais de 90%, não deve enfrentar grandes barreiras após comprovação dos dados.

A empresa espera entregar mais de 1,3 bilhão de doses mundialmente em 2021, o que vacinaria aproximadamente 600 milhões de pessoas, em duas doses por pessoa. O Brasil, onde foram realizados testes da fase 3, é um dos potenciais compradores do imunizante, a depender da aprovação na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do acordo do Ministério da Saúde com a Pfizer.

Ontem (17), representantes da pasta receberam executivos da empresa:

"O objetivo é conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório. A aquisição dos imunizantes deve ocorrer à medida em que os ensaios clínicos apontarem a total eficácia e segurança dos insumos e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) for realizado" – dizia um comunicado do Ministério da Saúde.

Em nota, a Pfizer informou que propôs um acordo com o governo brasileiro e " elaborou um plano logístico detalhado com ferramentas para apoiar o transporte eficaz, armazenamento e monitoramento contínuo da temperatura da potencial vacina contra a Covid-19." Ainda segundo a companhia, o acordo "permitiria vacinar alguns milhões de brasileiros no primeiro semestre, sujeita à aprovação regulatória."

Outras vacinas em fase 3

Ao todo, no mundo, são 12 vacinas em fase 3 de testes, a última antes da aprovação, que confirma ou não se a substância protege de fato quem a recebe. A da Pfizer é a primeira a anunciar a conclusão do estudo. Outras duas, da farmacêutica Moderna e do Instituto Gamaleya, da Rússia, também anunciaram análises preliminares com eficácia superior a 90%.

Especialistas em epidemiologia afirmam que, para 2021, um cenário ideal seria a aprovação de uma diversidade de vacinas, que atendam mais facilmente a enorme demanda global.



*atualizada Às 15:19 com nota da Pfizer sobre proposta de acordo com o governo brasileiro