Testagem para covid-19 mostra desigualdade social no Rio, aponta Fiocruz

A baixa testagem para covid-19 no município do Rio de Janeiro ainda é uma realidade, oito meses após o início da pandemia na cidade. Segundo o 2° Boletim Socioepidemiológico Covid-19 nas Favelas, lançado na noite da última quinta (12) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maior frequência de casos da doença foi observada nos bairros sem favelas e com baixa concentração delas, o que pode indicar uma baixa testagem da população.  

Segundo a análise da Fiocruz, os dados oficiais disponibilizados pela prefeitura entre 22 de junho a 28 de setembro mostram que os bairros com alta e altíssima concentração de favelas apresentaram no período um total de 2.529 casos de covid-19, o que corresponde a 5% do total do município, e 111 óbitos pela doença, ou 6% do total.

Enquanto a taxa de incidência de covid-19 no município como um todo ficou 67,74 por 10 mil habitantes, os bairros sem favelas tiveram incidência de 135,68 e os com altíssima concentração ficaram em 22,32 casos por 10 mil habitantes. Na mortalidade, a taxa por 10 mil habitantes ficou em 2,63 para o município no período, em 3,15 nos bairros com baixa incidência de favela, sendo este o índice mais alto, e de 0,71 nos bairros com altíssima concentração de favelas.

Nos meses de julho e agosto, os bairros que apresentaram as maiores taxas de incidência para a covid-19 foram Centro, Joá, Bonsucesso, Gávea, Humaitá, São Cristóvão, Vista Alegre e Praça da Bandeira. Bairros da zona Oeste, apesar de serem classificados com baixa concentração de favelas, apresentaram a maior frequência de óbitos. As maiores taxas de letalidade ocorreram em Barra de Guaratiba (16,67%), Senador Camará (12,05%), Vila Militar (11,11%), Cosmos (11,03%) e Santíssimo (10,7%).

O boletim registra que houve melhora na qualidade da informação sobre raça/cor nas notificações, com 85% de preenchimento. Isso mostrou que a taxa de incidência e a taxa de mortalidade foi cerca de duas vezes maior na população negra do que na população branca nos bairros sem favelas.

No evento de lançamento do Boletim, o pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Carlos Batistella destacou que a publicação reconhece a desigualdade no espaço urbano e demonstra que nas áreas onde a pobreza é mais acentuada, o novo coronavírus avança de forma mais rápida.

*Agência Brasil