Estudo aponta relação entre deficiência de vitamina D e casos graves de Covid-19

Um estudo realizado na Espanha apontou uma provável relação entre a deficiência de vitamina D, que na verdade é um hormônio, e casos graves de Covid-19. Em um hospital da cidade de Córdoba, 82,2% dos pacientes que apresentavam quadro grave da doença também tinham baixos níveis de vitamina D.

A pesquisa espanhola foi publicada no fim d outubro pelo Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism e separou dois grupos de voluntários. O primeiro grupo era composto por 216 pacientes internados por Covid-19. Já o segundo, para controle, tinha 197 pessoas de fora do hospital, sem registro da doença.

Os pesquisadores constataram, então, deficiência de vitamina D em 82,2% dos pacientes hospitalizados, enquanto que nas pessoas fora do hospital a incidência foi bem menor, de 47,2%. Analisando apenas os pacientes de Covid, 26,6% dos que apresentavam baixos níveis do hormônio foram internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) contra apenas 12,8% dos que tinham níveis normais.

A diferença também foi observada no tempo de hospitalização, 12 dias a 8, respectivamente. Não foi identificada, porém, diferença significativa em relação à mortalidade.

Apesar dos números animadores, os especialistas que conduziram o estudo pregaram cautela. Segundo eles, não é possível concluir uma relação de causa e consequência entre a ausência de vitamina D e a Covid-19. Isso significa que não se sabe se a deficiência do hormônio agravou a doença ou se a doença levou à deficiência do hormônio.

Também não é possível concluir se uma suplementação de vitamina D pode curar ou proteger da doença. Os responsáveis também recordam que o grupo de risco para a Covid, idosos e pessoas com comorbidades, é o mesmo público com maior chance de ter menos vitamina D no organismo.

Apesar disso, a equipe espanhola ressaltou que o reforço em vitamina D pode ser importante para outras enfermidades, especialmente para idosos, como osteoporose e perda muscular.