De protestos a demissões. Veja repercussão do caso Mari Ferrer

O caso Mari Ferrer segue com grande repercussão no cenário nacional e já causou desde protestos nas redes sociais até mesmo demissão de jornalistas. Na noite de ontem (04), dezenas de mulheres se reuniram  em frente à sede do Superior Tribunal Federal, em Brasíla, em um manifesto de apoio à Mariana Ferrer. Elas protestarem contra a sentença que absolveu o empresário André Aranha da acusação de estupro contra a jovem. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, não foi possível comprovar o crime.

O grupo carregava cartazes pedindo respeito às mulheres e também acusando a Justiça de ter sido conivente com o réu. “A justiça não é cega, ela é paga para não ver” dizia uma das frases. As manifestantes também protestaram contra os ataques que Mari Ferrer recebeu durante a audiência, partindo do advogado de defesa, Cláudio Gastão.

Um movimento denominado “Justiça por Mari Ferrer” também está organizando manifestações para o próximo domingo (08) em defesa da jovem e pedindo a anulação da sentença que inocentou o acusado, André Aranha. Marcado inicialmente para a Avenida Paulista, na capital de São Paulo, o protesto deve ser replicado em outros estados brasileiros.

Promotoria e advogado que ofendeu Mari em audiência se defendem

O Ministério Público de Santa Catarina teve negado um pedido de quebra de sigilo do depoimento de Mari Ferrer. Um vídeo retirado da audiência mostrou a influenciadora sendo atacada e ofendida pelo advogado de defesa de André Aranha, Cláudio Gastão. A promotoria, acusada de omissão por não interferir, alega que o vídeo foi editado e manipulado e queria divulga-lo na íntegra

Cláudio Gastão também se defendeu das críticas sofridas pelos ataques à Mari Ferrer durante a audiência. Segundo o advogado de defesa no caso, ele atuou “dentro dos limites legais e profissionais”. Para Gastão, tudo não passou de uma dinâmica normal entre acusação e defesa, com “ritos acalorados” e “considerando-se a exaltação de ânimos que costuma ocorrer em audiências como aquela.”

Jornalista demitido

Em uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, o jornalista Rodrigo Constantino afirmou que, se sua filha sofresse um abuso em condições semelhantes ao de Mari Ferrer, ele não denunciaria o homem e a deixaria de castigo. A declaração repercutiu negativamente e Rodrigo foi demitido dos veículos para os quais trabalhava, a Jovem Pan e a Record.

Em nota, a Jovem Pan afirmou que acredita que "a vítima não deve ser responsabilizada pelos atos de seu agressor" e comunicou a demissão de Constantino.

O mesmo fez hoje a Record, dizendo que "a decisão foi tomada em virtude das posições que o profissional assumiu publicamente sobre violência contra a mulher, em canais que não têm nenhuma vinculação com nossas plataformas. O jornalismo dos veículos do Grupo Record tem acompanhado com muita atenção o caso de Mariana Ferrer e o Grupo não poderia, neste momento, deixar qualquer dúvida de que justiça não se faz responsabilizando ou acusando aqueles que foram vítimas de um crime”.

Entenda o caso

O caso ocorreu em dezembro de 2018 e ganhou atenção a partir da divulgação de Mariana, que na época tinha 21 anos. A modelo usava seu perfil no Instagram para fazer denúncias. “15 de dezembro de 2018, Florianópolis, Santa Catarina. Não é nada fácil ter que vir aqui relatar isso. Minha virgindade foi roubada de mim junto com meus sonhos. Fui dopada e estuprada por um estranho em um beach club dito seguro e bem conceituado da cidade”, relatou ela na época.

O acusado André Aranha, 43 anos, é filho do advogado que representou a TV Globo, Luiz de Camargo Aranha, e já foi fotografado ao lado de Gabriel Jesus, Ronaldo Nazário e Roberto Marinho Neto.

Ele foi indiciado pela Polícia Civil em 2019 por estupro de vulnerável. Os exames provaram que houve conjunção carnal, ruptura do hímen de Mariana e ainda identificaram sêmen dele nas roupas da jovem – apesar de André ter afirmado que nunca teve contato físico com ela.