Dinamarca vai abater mais de 15 milhões de visons após encontrar mutação da Covid-19
O governo da Dinamarca vai executar entre 15 e 17 milhões de visons, mamíferos semelhantes a furões, após uma mutação do novo coronavírus ser encontrada nesses animais. A afirmação foi feita pela primeira-ministra, Mette Frederiksen, nesta quarta-feira (04). Pelo menos 12 pessoas já foram diagnosticadas com a mutação do vírus, que apresenta pouca reação aos antibióticos habituais e pode ameaçar o desenvolvimento de vacinas no mundo, segundo a imprensa local.

A responsabilidade de dizimar a população de visons ficará a cargo de três órgãos do governo: Forças Armadas, Agência de Gerência de Emergências e Segurança Nacional. A maneira como esses animais serão mortos não foi detalhada pelo governo dinamarquês.

A Dinamarca é o país com maior exportação de pele de vison do planeta, sendo responsável por 40% da produção total do mundo. A pele do animal é o terceiro produto mais exportado do país e gera milhões em coroas dinamarquesas e milhares de empregos em fazendas.

Até o momento, a infecção por Covid-19 entre os animais foi encontrada em 207 regiões produtoras. A primeira-ministra ainda não anunciou medidas econômicas, mas disse que até mesmo os animais “reprodutores” serão executados para conter o surto.

“Você perde uma vida de trabalho, em alguns casos um trabalho herdado por gerações. É um dia de muito pesar para todos vocês que trabalham na indústria de visons. O governo está ciente disso”, afirmou.

A Dinamarca não é o primeiro país a tomar essa medida drástica. A Holanda e a Espanha também já abateram milhares de visons, também conhecidos como marta, por preocupações semelhantes. Em agosto, a Holanda, depois de abater dezenas de milhares de animais, resolveu banir por completo a criação para a indústria de peles, após o registro de vários focos de infecção em criadouros.

Em maio, as autoridades holandesas já tinham decidido proibir o transporte de peles de visons em todo o país, depois que dois trabalhadores de um criadouro teriam contraído o novo coronavírus por meio desses pequenos animais.

À época, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, que diante das suspeitas, essas possíveis contaminações poderiam ser os "primeiros casos conhecidos de transmissão" do novo coronavírus de animais para seres humanos.

Em julho, quase 100 mil visons de uma fazenda no nordeste da Espanha foram sacrificados depois que muitos deles testaram positivo para coronavírus. Um surto na província de Aragão foi descoberto depois que a esposa de um funcionário de um criadouro contraiu a doença em maio.