Pastor anuncia o Evangelho como palhaço e fotógrafo

Há 20 anos, o pastor Ronny Clayton escolheu levar o Evangelho com alegria aos adolescentes de uma igreja em São Paulo. Uma oportunidade que surgiu em uma programação especial e que hoje é a marca do seu ministério como o Palhaço Presuntinho, que virou missionário no Brasil e também na África. Mas a vocação desse pastor da Primeira Igreja Batista de Cerquilho, cidade paulista de 44 mil habitantes que fica na região metropolitana de Sorocaba, não para por ai. Ele também é fotógrafo e resolveu usar este seu outro talento para valorizar os profissionais de saúde durante a pandemia. Frequentemente, Ronny também expõe seus trabalhos em espaços como a Assembleia Legislativa de São Paulo. Uma forma de levar a Palavra de Deus, mesmo sem palavras, como ele costuma dizer. VEJA GALERIA

Como “nasceu”  o Palhaço Presuntinho?

Pastor Ronny Clayton
: Nasceu há 20 anos. Eu era líder de adolescentes na cidade de Mauá/SP e fui convidado para pregar no encerramento de um encontro de adolescentes, o encontro chamava Santidade Total. Eu tinha visto o pastor Fernando Cintra pregar vestido de palhaço. No final ele tirava a máscara, e a gente gostava muito de ouvi-lo. Então eu pensei: “Um dia eu quero fazer isso, igual ao pastor fez, muito bom.’ E aí eu fui lá na Rua 25 de março, aqui em São Paulo, e comprei uma roupa para o meu personagem e fui fazer o encerramento daquela atividade dos adolescentes. Foi super legal, foi super divertido. No final eu tirei a roupa de palhaço e eu vi ali dezenas de adolescentes ajoelhados, chorando, entregando a sua vida para Santidade Total, em Deus. Foi muito especial. 

E como o Palhaço Presuntinho se tornou internacional?

Eu sou pastor desde 2002. Fui ordenado ao Ministério em 2002, então já tem aí 18 anos que eu sou pastor. A primeira vez que eu fui pra Moçambique foi em 2010, nós descemos na África do Sul e depois fomos para Moçambique. 

Na África do Sul eu preguei numa igreja, fiz algumas outras coisas, mas o trabalho mesmo é feito lá em Moçambique. Como eu sou pastor da Primeira Igreja Batista Cerquilho atualmente, então quando eu vou pra lá, eu falo pra igrejas, eu falo aos jovens, adolescentes, crianças, eu vou em escolas, sempre tentando levar uma mensagem de esperança de vida e de salvação.

A fotografia entrou de que forma em seu ministério?

Quando você pega minhas fotos de criança ou adolescente vai reparar que elas não são comuns . Desde pequeno eu sempre tentei buscar um ângulo diferente, tentando fazer montagem ali e aqui. Mas a partir de 2010, quando eu comecei a ir para Moçambique, eu comecei a me dedicar um pouco mais à foto pra poder registrar o meu trabalho ali como palhaço, como pastor. Então a paixão foi aumentando e eu comecei a fazer várias coisas com as fotos. Fiz exposições em escolas, teatros, museus, faculdades... aonde chamam, eu vou. No ano passado me dediquei à exposição chamada “Olhares moçambicanos: o que você vê?”. Foi na Assembleia Legislativa de São Paulo, a convite da deputada Janaína Paschoal, ela viu as minhas fotos num evento e ficou bastante impressionada e me convidou.

Como você entende a sua vocação?

Eu entendo que a minha vocação é ser pastor. Eu gosto de ser pastor, amo ser pastor. Eu nunca vou deixar de ser pastor, mas eu acredito que já fiz muito trabalho. Por exemplo, eu gosto de cozinhar e já fiz trabalhos em vários lugares, em escolas, por exemplo, de evangelização, cozinhando. Vou lá, dou minha palestra e depois eu faço um jantar para os professores. Aprendi com minha mãe.

Assim também é na fotografia. Eu faço fotos pra que a gente possa alcançar também o coração das pessoas. 

E qual foi o trabalho mais recente com fotografia que ajudou a levar o amor de Cristo a quem precisa?

Neste ano, eu fiz uma sequência de fotos no Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho. Eu fotografei 338 pessoas. Mas a primeira ação que eu fiz durante esta pandemia foi na Santa Casa de Cerquilho, na cidade que eu moro. Lá eu fotografei cerca de 130 pessoas. 

Um clique pode fazer muita diferença para alguém. As pessoas perguntavam porque eu estava fotografando-as. E eu dizia que era uma forma de homenageá-las, dar um carinho. Uma oportunidade de as pessoas se verem de uma forma diferente. 

Eu também fiz uma sessão de fotos da equipe de reciclagem da minha cidade, mostrando quem são os chamados “invisíveis”. Então isso com certeza faz a gente ficar feliz em ajudar alguém a ter uma autoestima melhor.

Também levantamos cestas básicas. No Dia das Crianças, como Palhaço Presuntinho,  eu e minha esposa também levamos lanches para as crianças da nossa igreja. E recentemente completei 220 lives realizadas durante a pandemia, pelo Facebook. Sempre levando a mensagem do Evangelho, orando com as pessoas e incentivando-as a prosseguir com Cristo.

Então, a minha vocação, juntamente com os talentos que Deus me deu, está sempre muito misturada ao interesse de fazer o mundo melhor e cumprir a minha missão, que é pregar o Evangelho. Tudo o que eu faço é para demonstrar o amor de Deus, mesmo sem usar palavras. Então às vezes um clique ou um sorriso tirado com o palhaço vai fazer muito mais efeito no coração daquela pessoa do que um sermão de 40 minutos.