Psoríase: a doença da pele que pode doer na alma A pele é o maior órgão do corpo humano e aquele que está efetivamente exposto e a mostra, sendo, e “causando”, literalmente, a primeira impressão tão valorizada nesse nosso mundo atual onde a imagem e o estereótipo tem cada vez mais relevância. Através dela também expressamos nossos sentimentos, demonstramos nossas origens étnicas e explicitamos muitas vezes também nossos hábitos de vida e até nossas emoções quando nos assustamos ou ficamos envergonhados. O que muitos não sabem é que, por ter a mesma origem embrionária do nosso sistema nervoso, lá durante a formação dos nossos órgãos e tecidos ainda no ventre das nossas mães, essa origem comum, chamada de “ectodérmica”, tanto da pele quanto do sistema nervoso, faz com que alterações ou doenças que acometam a um deles, tenham também uma repercussão mais forte e intensa no outro.

Por isso as doenças que atingem a pele são normalmente aquelas que tradicionalmente mais abalam e incomodam o “psiquê”, mais afetam a autoestima e a autoconfiança das pessoas. Dentre essas doenças da pele, uma delas, à qual me dedico há muitos anos, chamada Psoríase, é uma das recordistas em afetar o lado emocional dos pacientes. A dor e o sofrimento provocado pelas lesões da pele levam frequentemente também à dor e sofrimento emocional, “da alma”, fazendo com que nós, médicos, tenhamos ainda mais dificuldade na condução dos tratamentos e, ao mesmo tempo, exigem que esses tratamentos sejam os mais rápidos e efetivos possíveis.

A Psoríase é uma doença inflamatória que acomete pelo menos 2% da população mundial e, no Brasil, mais de 3 milhões de pessoas convivem com ela, alguns com formas mais leves e brandas da doença, menos perceptíveis pelos outros, mas outros com formas mais extensas, visíveis e que acometem até outros áreas do corpo, como as unhas, os genitais e até as articulações e, em todas elas, o componente emocional é quase sempre um fator muito relevante a ser monitorado e considerado pelos profissionais de saúde que conduzem os tratamentos e lidam com essa situação tão delicada que costuma levar também a outras alterações de saúde decorrentes dessa combinação de fatores que acometem a pele e os sentimentos muitas vezes escondidos, os chamados sintomas emocionais subjetivos, que contribuem diretamente para o agravamento das manifestações clínicas na pele, ou seja, uma coisa leva à piora da outra, num ciclo muito importante de ser interrompido, principalmente nesse período de pandemia da Covid-19 onde o emocional de muitas pessoas acaba ficando afetado, pelos mais diversos motivos.

Dr. Fabricio Lammy
dermatologista