Teólogo explica o porquê de tantos divórcios na pandemia

A pandemia causada pelo novo coronavírus tem sido não apenas um catalisador de mudanças sociais, mas também no âmbito pessoal. Um exemplo disso é o aumento do número de casais que decidiram seguir separados após alguns meses de convivência intensa. A percepção do fenômeno é global, tanto que o crescimento foi registrado em diversos países como China, Estados Unidos e Brasil. 



De acordo com o Teólogo criador da marca Jovem Celebrante, Marco Aurélio Nogueira, o isolamento não é um causador, mas sim um acelerador de um processo de desgaste nos relacionamentos. 



Podemos dizer que a pandemia aproximou os casais, fazendo com que passassem a se conhecer melhor?



Marco Aurélio: A pandemia veio para escancarar aquilo que já não estava bom, pois nesse momento não há mais para onde fugir. Não existe mais trabalho, ciclo social ou distrações que impeçam o casal de querer enxergar problemas que, devido à rotina, eram jogados para debaixo do tapete constantemente.



É possível afirmar que outros fatores como sentimentos à flor da pele e os altos níveis de estresse provocados pela pandemia contribuem para o conflito do casal dentro de casa?



Grande parte dos casais que estão enfrentando problemas ou mesmo os que chegaram a se separar, já experimentavam uma relação distante e de pouca conversa. Conviver a dois nunca foi uma arte fácil, sem diálogo e compreensão então, fica ainda difícil manter um casamento saudável.



Há casos em que o excesso de convivência pode ter sido fundamental para resolver diferenças antigas?



Nem só de coisa ruim vive o isolamento entre companheiros. Há muitos casais que já se encontravam separados e estão vencendo as diferenças e decidiram passar o isolamento social juntos para auxílio dos filhos, já que as atividades escolares presenciais foram suspensas por tempo indeterminado.



E como vencer desavenças antiga para que o isolamento não decrete o fim do relacionamento?



O casal precisa começar a dialogar e expor de forma clara o que cada um espera do outro: em termos de divisão de tarefas, de necessidades emocionais e cuidado com os filhos.



Em tempos de pandemia de Covid-19, cuidar da saúde sempre será prioridade. Há, no entanto, outros cuidados que também não podem passar despercebidos para quem vive sob o mesmo teto, que é cuidar da saúde emocional para não afetar o relacionamento conjugal. Quais as suas recomendações nesta área?



Não sobrecarregue informação. Evite os áudios, vídeos, mensagens que circulam fáceis pela internet e WhatsApp chamadas de Fake News, pois isso cria ansiedade, uma tensão ruim e desnecessária. Busque fontes de informações oficiais, limite-se a ler informações somente uma vez ao dia ou somente quando necessário.



Para evitar brigas desnecessárias, cada um deve buscar, durante o dia, um momento a sós e ter um espaço para realizar uma atividade sozinho, como uma oração, uma leitura, um estudo ou exercícios de meditações.



É tempo diferente, peculiar e único, que teve seu início, mas que em breve terá um fim. Cabe a nós vivermos este período da melhor maneira possível, cuidando e zelando pelo nosso casamento, e respeitando as diferenças do nosso parceiro. Só assim, resistiremos ao caos e veremos depois da tempestade flores voltarem a surgir.