Número de cristãos é cada vez menor na Alemanha Dados divulgados neste ano traçaram um panorama das religiões em Berlim, na Alemanha, e revelaram que a grande maioria da população da cidade é ateia. Mais de 60% dos moradores de Berlim não seguem qualquer religião. Os cristãos são o segundo maior grupo, com 26%. Atualmente, cerca de 576 mil berlinenses são luteranos e mais de 331 mil, católicos. Somente depois vêm os muçulmanos, com aproximadamente 10% – um número um pouco maior do que a média nacional, que é de 6,2%. Os judeus são o menor grupo religioso, com cerca de 9,5 mil pessoas em Berlim, aproximadamente 0,25% da população.

As religiões cristãs são as que mais têm perdido fiéis ao longo das últimas décadas. Estima-se que há 50 anos o número de cristãos era o dobro dos atuais 970 mil. Diante dessa redução da comunidade, a estrutura existente acabou se tornando grande demais. Assim, igrejas têm sido fechadas, e algumas foram até demolidas.

Em outros países da Europa, como França, Holanda e Inglaterra, o avanço da secularização e o aumento da indiferença religiosa também provocaram o fechamento de centenas de igrejas. Velhos templos foram vendidos e hoje abrigam lojas de departamentos, escola para artistas de circo, pistas de skate. Até mesmo as livrarias, que mostram-se em grande crise, estão em posição de superioridade: alguns templos foram convertidos em livrarias. Na Escócia, uma igreja luterana virou bar temático alusivo a Frankenstein.

Outro fator importante para a redução do número de cristãos na Alemanha é a perseguição. Um relatório recente do Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra cristãos (OIDAC) indica que do início de abril ao início de junho de 2019 foram registrados 30 ataques contra igrejas na Alemanha.

Em 12 de junho, o Observatório assinalou que esses incidentes vão desde roubo a incêndio intencional.

"Às vezes, a invasão de um local ou um assalto são motivados simplesmente por dinheiro. No entanto, o efeito desses incidentes deve ser motivo de preocupação (...). Ao optar por atacar as igrejas, vândalos e ladrões mostram uma profunda falta de respeito, se não ódio, por lugares de culto", indicou o OIDAC.

Entre os principais incidentes, e um dos mais recentes, está um ato de vandalismo contra uma igreja protestante em 6 de junho, no município alemão de Dieforf.

De acordo com OIDAC, este templo é alvo de vandalismo desde julho de 2017. Nos repetidos ataques, os vândalos quebraram janelas, queimaram produtos de higiene feminina com o objetivo de arruinar uma parede, picharam paredes e portas, derrubaram bancos do parque e sujaram a área ao redor da igreja.

"O dano à propriedade chegou a dezenas de milhares de euros", detalha OIDAC.