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Cabral admite propinas na Rio 2016 Pela primeira vez o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, admitiu nesta quinta-feira (4), que comprou votos para que o Rio de Janeiro sediasse as Olimpíadas de 2016. De acordo com ele, o ex-presidente Lula e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes souberam da propina. 

Sérgio Cabral prestou depoimento ao juiz Marcelo Bretas no processo em que é acusado de ter pago propina para influenciar na escolha do Rio como sede dos Jogos. Além dele, também são réus no processo o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil Carlos Arthur Nuzman e o ex-diretor da Rio-16 Leonardo Gryner.

Cabral disse que, no total, foram pagos US$ 2 milhões em propinas ao ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack. Segundo Cabral, foi o ex-presidente do Comitê Olímpico brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que teria indicado o nome de Diack.

Cabral disse que Lamine Diak repassava dinheiro para membros do COI, o Comitê Olímpico Internacional. Entre as pessoas que vendiam votos estariam dois ex-atletas. “Eles me garantiram que o Serguei Bubbca, atleta famoso ucraniano, recebeu propina. Outro atleta que não é do atletismo, mas segundo eles recebeu também, é o russo Alexander Popov, grande campeão mundial.”

Os pagamentos teriam sido feitos pelo empresário Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur.

O ex-governador afirmou que o ex-presidente Lula soube do esquema no momento em que o Rio passou na primeira rodada de votação, no dia 3 de outubro.

“Aí o Lula falou, sentado comigo, tomando um uisquinho, já mais calmo… Ele até comentou com a dona Marisa pelo telefone. Falou: ‘Marisa, eu não tô entendendo, o Sérgio tá aqui celebrando, mas ganhamos o primeiro, tem ainda outras’. Aí eu falei, presidente, deixa eu contar para o senhor. O meu medo era não passar por essa fase. Nessa fase eu tive um arranjo político assim, assim e assado. Também não falei Arthur, falei por alto. Ele também fingiu que não ouviu e falou: ‘Bom, você está me contando um negócio que já aconteceu, tá bom, tá ótimo’.”

Os citados por Cabral, que foram localizados, negaram envolvimento no esquema de compra de votos.