Sócio da Faros Investimentos fala sobre economia pós-reformas

Em entrevista à reportagem do Melodia News, nesta quinta-feira (04) quando a comissão especial da reforma da Previdência aprovou o texto-base do relatório de Samuel Moreira, Bernardo Penalva de Carvalho, sócio da Faros Investimentos, comentou sobre o futuro da economia brasileira.



Quais entraves hoje não permitem que nossa economia cresça?

A pergunta deveria ser o contrário: "Por que as pessoas acham que a recuperação da economia deveria ser mais rápida? Houve uma degradação do ambiente econômico na última década que só fez se agravar. O que não era bom, ficou muito pior principalmente com intervenções desastrosas na economia, aumento do Estado, destruição do ambiente empresarial do Brasil e, com isso, a economia ficou muito machucada. Para crescer o governo deve melhorar esse ambiente empresarial, diminuindo ao máximo o famoso “Custo Brasil”, criando um ambiente econômico propício para investimentos internos e externos. Deve promover as reformas tanto da previdência como está fazendo, mas também a tributária. O que impede o Brasil de crescer é o próprio Brasil.



O senhor acredita que a reforma da Previdência sozinha pode realmente fazer nossa economia voltar a crescer de forma sustentável ou o crescimento depende também de outras reformas?

A reforma da Previdência por si só tem um simbolismo enorme. Ela só não deixará o Brasil quebrar, como ajudará o governo federal e os estados voltarem a investir. Mas o mais importante mostra que o Brasil poderá fazer outras reformas tão importantes quanto como a reforma tributária que cria um ambiente tarifário competitivo com outros países, gerando desenvolvimento por causa dos investimentos internos e principalmente externos. Você imagina o seguinte: passando a reforma da Previdência de R$ 1 trilhão, o governo volta a investir, os estados voltam a investir e com a reforma tributária os empresários voltam a investir, competindo de igual para igual com países com regimes tributários mais eficientes. Por isso que a reforma da Previdência é tão emblemática.



O senhor considera que o governo Bolsonaro está no rumo certo no tocante à economia? 

Sim. O governo está no rumo correto. O problema é que no Brasil cada vez mais o país é refém da Câmara, Senado e, de vez em quando do STF, que passou a legislar também (risos). Ou seja, nada é fácil por aqui. A decisão, aprovação e implementação de qualquer coisa têm burocracia e conflitos de interesses enormes e, por isso, a enorme morosidade para uma retomada. Onde o governo precisa passar tudo antes pela Câmara dos Deputados e senadores para conseguir dar continuidade nas reformas e pacotes econômicos, a fim de retomar o crescimento. Hoje (04) saiu na imprensa que o Paulo Guedes está esperando só votar a reforma para soltar um pacote econômico de R$ 100 bilhões para estímulos à economia.



Como o mercado financeiro como um todo avalia o ministro Paulo Guedes?

O mercado financeiro gosta muito do Paulo. Super bem preparado, ele é um excelente economista. Consegue ver bem quais são nossos principais pontos fracos e tem uma cabeça liberal, o que é excelente para o nosso país. Inclusive, eu o conheço muito e sei da sua capacidade intelectual. Para mim ele é um craque.



Que crescimento o senhor vislumbra para o nosso país nos próximos anos, caso as reformas sejam aprovadas?

Caso seja aprovada a reforma da Previdência de cerca de R$ 900 bilhões, como Rodrigo Maia tem dito, incluindo os estados e municípios, esperamos um crescimento de algo em torno de 2% a 3% para 2020 e de 3% a 4% para 2021. Se colocarmos mais o Pacote de Estímulos, a economia que o Paulo Guedes tem comentado, mais a reforma Fiscal, esse número de crescimento pode ser muito maior. O Brasil tem toda a capacidade de crescer acima de 5% ao ano como uma China. Mas os políticos têm que querer. Só falta para o Brasil, desatar esses “nós” burocráticos das reformas. Tirando isso, o “Céu é o Limite”.



O senhor acha que o Brasil irá se tornar atrativo aos olhos dos investidores externos?

Sim. Passando a reforma da Previdência de tamanho mínimo com os estados e municípios, veremos uma volta expressiva dos investimentos internos e consequentemente externos também. Caso venha uma reforma tributária e um pacote de estímulo à economia, como o que o Paulo Guedes tem comentado, com cerca de R$ 100 bilhões de crédito, poderemos ver o Brasil ser o centro das atenções do mundo nos próximos anos.



Quais os maiores desafios para o novo governo na área econômica?

Os maiores desafios na área econômica são vários. Mas para citar alguns mais importantes são: a) Melhorar o PIB; b) Melhorar a Balança Comercial com mais saldo positivo; c) Corrigir as pedaladas do governo anterior, desalavancando as empresas e bancos estatais e as privatizando; d) Estimular o micro e pequeno empreendedor, coisa que ele está buscando fazer com o BNDES, e não somente grandes empresas; e) Gerar estímulo para infraestrutura em todo país como rodovias, ferrovias e hidrovias para o escoamento de produção que não seja somente por caminhões; f) Diminuir a burocracia brasileira como um todo, Custo Brasil, pois esse é um dos grandes fatores que impedem o país de crescer de forma mais rápida e organizada.



Que conselhos o senhor daria ao ministro Paulo Guedes, caso tivesse oportunidade?

Eu não daria um conselho. Eu daria parabéns, pois a coragem que eles estão tendo para fazer tudo o que estão dizendo, eu não vejo desde a criação do ousado, na época, Plano Real.