Flamengo foi alertado sobre riscos elétricos no Ninho do Urubu antes de trágico incêndio Documentos em poder da Justiça revelam que o Flamengo foi alertado para a situação de "grande risco" do alojamento nove meses antes do incêndio que matou 10 adolescentes das categorias de base do clube.

Em um e-mail datado de 11 de maio de 2018, por exemplo, os responsáveis pela administração do centro de treinamento, conhecido como Ninho do Urubu, receberam um relatório feito por um técnico contratado pelo Flamengo que apontava problemas em diversos itens do sistema elétrico. Esse relatório apontava a necessidade de um "atendimento emergencial".

O Presidente do Flamengo na ocasião, Eduardo Bandeira de Mello disse que não tomou conhecimento do conteúdo desses e-mails.

O site UOL divulgou fotos destes e-mails que constam da briga judicial entre o Flamengo e a empresa Anexa Energia, visto que o clube rompeu o contrato em vigência sob a alegação de não cumprimento do trabalho, informação contestada pela empresa. Quando as partes acertaram a prestação dos serviços, a companhia exigiu acesso a todas as correspondências que detalhassem a rotina do Flamengo em todo este processo das instalações do seu centro de treinamento.

Segundo reportagem do UOL, foi a Anexa quem detectou irregularidades no sistema elétrico que alimentava os aparelhos de ar-condicionado dos contêineres que serviam de alojamento para os jovens mortos. A empresa apontou má conservação, questionou a capacidade da rede para suportar os mesmos e apontou ainda problemas nos extintores tão logo vistoriou o local após a tragédia. Os problemas verificados pelo clube em 2018 não haviam sido reparados.

Segundo a Anexa, que foi contratada pelo Flamengo para produzir parecer após a tragédia, a empresa CBI fez o orçamento dois dias após o gerente Luiz Humberto repassar o documento que detalhava o cenário preocupante ao diretor executivo de administração do Ninho do Urubu, Marcelo Helman. A previsão era de reparos em até 10 dias a um custo de R$ 8.550,00.

Contratada pelo serviço, a CBI emitiu duas notas fiscais (cada uma no valor de R$ 4.275,00, datadas dos dias 25 de maio de 2018 e 1º e outubro de 2018), mas o trabalho jamais foi executado.

A Anexa afirma que mesmo após o pagamento de outubro e a verificação de que o serviço não havia sido realizado, o Flamengo não providenciou novos reparos. E assim o cenário das instalações elétricas apontado nos relatórios permaneceu. Até o fatídico 8 de fevereiro de 2019.