Bancada evangélica luta para manter isenção de impostos sobre a Bíblia Em 2019, 395 milhões de livros físicos foram produzidos no Brasil, segundo levantamento da consultoria Nielsen Book, coordenada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livro). Desses, 18,8% são livros religiosos.

A pesquisa da Nielsen Book não detalha quanto da produção religiosa corresponde a Bíblias, mas sabe-se que o livro sagrado do cristianismo tem uma grande parcela do mercado. É o mais lido em todo o mundo.

De acordo com a SBB (Sociedade Bíblica do Brasil), em 2019 foram distribuídos 6,3 milhões de Bíblias (1,85 milhão em formato digital) e 254 mil edições do Novo Testamento. A instituição é a única no Brasil com gráfica dedicada à impressão de Bíblias.

A SBB afirma que a maioria das Bíblias digitais foi distribuída de graça.

Somando outros produtos editoriais, como livretos e folhetos, a SBB foi responsável por distribuir 200 milhões de publicações cristãs no ano passado —todas isentas de PIS e Cofins.

A Constituição garante a templos de qualquer culto o que se chama de imunidade tributária. Mas isso vale apenas para impostos relacionados à renda e ao patrimônio das organizações religiosas, como IPTU, IPVA e Imposto de Renda.

No entanto, o ministério da Economia propõe substituir as duas contribuições federais pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alíquota de 12%, e acabar com o benefício ao mercado editorial.

Caso o fim da isenção se concretize, o valor do tributo cobrado desde o fabricante de papel até o varejista deverá ser repassado ao consumidor final, e os livros, inclusive a Bíblia, poderão ficar mais caros.

A bancada evangélica já se movimenta para garantir que a reforma tributária não acabe com a isenção de impostos dos livros, em vigor desde 1946.