Grupos religiosos tentam impedir aborto em menina de 10 anos Grupos a favor e contrários à interrupção da gravidez de uma menina de 10 anos estiveram neste domingo (16) na porta do hospital onde ela está internada, no Recife, para realizar o procedimento.

A Justiça do Espírito Santo autorizou o aborto na vítima, que engravidou após ser estuprada pelo tio. A justificativa do juiz Antonio Moreira Fernandes, da Vara da Infância e da Juventude de São Mateus foi a preservação da vida da menina, que foi levada para Recife, já que no Espírito Santo o hospital autorizado a fazer o aborto teria se recusado. A legislação brasileira autoriza a interrupção da gravidez em caso de estupro.

Apesar do procedimento ser considerado legal, uma multidão tentou invadir o hospital. Com gritos de “assassino”, também criticou o médico responsável pelo aborto.

Vídeos que circulam no Twitter mostram a confusão. Policiais militares do estado de Pernambuco precisaram impedir a entrada das pessoas no hospital.

Outro vídeo mostra o grupo de mãos dadas, orando em frente ao hospital. A Comunidade Católica Porta Fidei, que tenta impedir o aborto, se diz em defesa “das duas vidas” e chamou o procedimento de “homicídio”.

A menina já começa a enfrentar problemas de saúde por conta da gravidez que está na vigésima semana.

A vítima era abusada há seis anos pelo tio que hoje tem 33 e está foragido.

Um novo crime circundou a situação da menina no domingo (16). Investigada no inquérito das fake news, Sara Fernanda Giromini, a Sara Winter, divulgou a identidade da vítima e o endereço de sua família nas redes sociais.
 
Tal ato é considerado crime, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Isso porque o ECA garante que “a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada”.