Donos da Globo são denunciados em delação premiada e Bolsonaro cobra matéria no Fantástico

A hashtag #RachadinhadaGlobo alcançou o trending topics no Twitter depois da reportagem publicada pela revista Veja sobre a delação do “doleiro dos doleiros” Dario Messer, que diz que ele teria repassado "de duas a três vezes por mês quantias que oscilavam entre US$ 50 mil e US$ 300 mil" aos executivos da emissora.

O doleiro firmou na quarta-feira (12) um acordo de delação premiada com o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro). Em seu depoimento, ele disse ter repassado dólares em espécie para a família Marinho, dona da Rede Globo, diversas vezes.

Segundo a reportagem, Messer relatou que a entrega dos pacotes de dinheiro acontecia desde os anos 90 dentro da sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro, para um funcionário identificado como José Aleixo.

Na sexta-feira (14), a emissora se defendeu usando seu principal telejornal. O Jornal Nacional destacou que não haveria provas contra os donos da Rede Globo e o apresentador William Bonner leu uma nota.

“O site da revista Veja publicou hoje uma matéria sobre um depoimento do doleiro Dario Messer em sua delação premiada. O doleiro teria alegado que, na década de 1990, entregou na sede da TV Globo valores entre 50 mil e 300 mil dólares de duas a três vezes por mês sem dizer em que período”, disse o apresentador William Bonner.

“A revista destaca que o doleiro não apresentou provas do que afirmou e que admitiu nunca ter se encontrado com qualquer integrante da família Marinho. Apesar disso, salienta a revista, Messer teria dito que os valores se destinariam a Roberto Irineu, presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo, e João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo”, completou, afirmando que a família nega a acusação.

A nota do telejornal não cita a suposta operação com o grupo Safra e o mesmo rigor da TV Globo com a apresentação de provas não foi visto em colaborações premiadas anteriores.



Leia a nota dos Marinhos:

“A respeito de notícias divulgadas sobre a delação de Dario Messer, vimos esclarecer que Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho não têm nem nunca tiveram contas não declaradas às autoridades brasileiras no exterior. Da mesma maneira, nunca realizaram operações de câmbio não declaradas às autoridades brasileiras”.



Bolsonaro cobra esclarecimentos 

O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para calcular os valores que podem ter sido repassados pelo doleiro Dario Messer à família Marinho.

Bolsonaro escreveu: “30 anos = 360 meses / 3 X por mês = 1080 vezes / 1080 x U$ 300 mil = U$ 324.000.000,00 /  U$ 1,00 = R$ 5,42. Logo R$ 1,75 bilhão é o valor que pode ter sido repassado, em dinheiro vivo, à família Marinho da Globo, segundo o doleiro Dario Messer”, calculou o presidente.

Ele considerou a informação da polícia de que Messer atuou em esquemas de corrupção durante 30 anos.

Os valores seriam descontados no exterior por Roberto Irineu e João Roberto Marinho, segundo a Veja.

Bolsonaro aproveitou para provocar a emissora que o tem acusado de alcançar maior popularidade graças ao auxílio emergencial, dado pelo governo aos mais afetados economicamente durante a pandemia. 

"Aguardando reportagem do Fantástico", postou Bolsonaro nesse sábado ironicamente esperando a emissora falar sobre suas próprias acusações.