França da sinal verde para aborto até o 9º mês de gestação

O aborto sob demanda até o nascimento pode ser legalizado na França depois que a Assembleia Nacional aprovou uma série de novas emendas polêmicas.

Os legisladores votaram para permitir o aborto para mães que têm "sofrimento psicossocial", aprovando efetivamente o aborto até o nascimento por qualquer motivo, em uma votação na noite de segunda-feira (10) sobre a revisão da lei de bioética do país.

A Assembleia também votou a favor da procriação artificial financiada pelo Estado para casais de lésbicas, embriões geneticamente modificados e quimeras (híbridos animal / humano).

Em grande perigo

Os ativistas pró-vida expressaram seu horror com a notícia da votação.

O bispo católico Bernard Ginoux de Montauban tuitou que a nova legislação significa que as gerações futuras estão “em grande perigo”.

O Alliance Vita, um grupo francês pró-vida, expressou sua preocupação de que o sofrimento psicossocial seja um “critério não verificável”, sugerindo que isso abre a porta para as mulheres fazerem um aborto por qualquer motivo.

Atualmente, cerca de 220 mil abortos legais acontecem todos os anos na França e os ativistas temem que o número aumente com as novas emendas.

Manipulação

Também houve críticas ao pequeno número de votos a favor da lei.  Apenas 101 membros votaram nas emendas polêmicas de um total de 577 membros, com 60 a favor e 37 contra.

Houve outras objeções sobre a falta de tempo para avaliar adequadamente o projeto de lei.  Apenas 25 horas foram dedicadas à discussão, enquanto a emenda sobre a procriação artificial foi introduzida algumas horas antes da votação de todo o texto.

Protestos

A introdução da procriação artificial para mulheres solteiras e casais de lésbicas foi discutida em consultas populares no ano passado, mas milhares de pessoas protestaram contra a mudança.

O projeto de lei deve agora retornar ao Senado para sua segunda leitura lá.  Uma lei modificada seria então votada por um comitê conjunto das duas casas ainda este ano, mas a decisão da Assembleia Nacional é final caso um consenso não seja alcançado.