Sudão promete acabar com pena de morte para ex-muçulmanos que se convertem ao cristianismo O governo do Sudão prossegue o seu programa de reformas ao código penal do país. Em entrevista esta semana à imprensa local, o ministro da Justiça sudanês, Nasredin Abdul Bari, disse que vai acabar com a pena de morte por apostasia – os ex-muçulmanos não serão mais perseguidos por se converterem ao cristianismo. Ele prometeu também que a criminalização da mutilação genital feminina irá também avançar, depois de ter sido aprovada no passado mês de maio.

"Vamos garantir a liberdade religiosa e a igualdade na cidadania e no Estado de direito", assegurou.

O ministro destacou que todas estas mudanças apontam no sentido da igualdade perante a lei.
“Eliminamos todos os artigos que conduziram a qualquer tipo de discriminação. Asseguramos ao nosso povo que a reforma legal vai continuar até que eliminemos todas as leis que violam os direitos humanos no Sudão", disse o ministro.

No entanto, ele revelou que a pena de morte será mantida, ficando reservada aos casos de assassinato e "outros crimes atrozes".

Um dos casos mais conhecidos da aplicação da lei da apostasia aconteceu em 2014, quando uma mulher cristã foi condenada à morte após ter sde recusado a renunciar a sua fé. Ela estava grávida de sua segunda filha. A acusada, Meriam Yahya Ibrahim, deu à luz 12 dias depois da condenação, já no corredor da morte, onde se encontrava com o seu primeiro filho.

Meriam seria morta após amamentar a bebê por dois anos, mas acabou por ser posta em liberdade um mês depois, diante da enorme pressão internacional que recaiu sobre o regime sudanês.