Brasil sofre onda de ataques a cristãos durante pandemia O distanciamento social necessário à contenção da pandemia do novo coronavírus obrigou muitas igrejas a fecharem as portas temporariamente e realizarem seus cultos online. Quatro meses após duras restrições, muitas cidades brasileiras experimentam a flexibilização e várias igrejas já retomaram suas atividades, obedecendo a regras determinadas pelas autoridades de seus municípios. No entanto o que se vê é o crescente número de casos de intolerância aos cristãos. Não há um levantamento exato sobre ataques a templos religiosos no período, mas as denúncias registradas em delegacias são preocupantes.

No último domingo (12), um grupo de três pessoas invadiu um culto evangélico que acontecia em uma rua do Bairro Curió, em Fortaleza. O motorista jogou o veículo em direção ao local e, em seguida, ele e duas passageiras desceram do veículo e começam a discutir com os fieis.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, testemunhas relataram que o veículo passava em frente à casa onde acontecia o culto quando o condutor avançou com o carro contra as pessoas que estavam sentadas no local.

Não houve prisões. Mas, segundo a polícia, os agressores obrigaram a pastora que conduzia o culto a sair de casa, usando palavras de baixo calão e dando início a uma confusão generalizada.

Outros casos
No mesmo dia, policiais invadiram a Igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Curitiba/PR, durante a transmissão de um culto online.

Segundo o pastor Davi Secundo de Souza, a PM mobilizou nove viaturas e um caminhão guincho após receber uma denúncia anônima. No entanto, de acordo com o pastor, como todos os protocolos da prefeitura estavam sendo seguidos, os policiais decidiram rebocar os carros dos fiéis que faziam a transmissão online.

“Oremos pelo nosso prefeito, o senhor Rafael Greca de Macedo, para que compreenda que o exercício da fé e da comunhão pode ser praticado sem ofender o distanciamento social bem como demais recomendações aplicáveis”, disse o pastor em suas redes sociais.

No dia 29 de junho, uma igreja em Campo Grande/MS teve o culto interrompido por guardas municipais. Parlamentares da cidade criticaram o ocorridos e clasificaram o fato como “falta de respeito”.

O assunto foi discutido durante a sessão ordinária do dia 1º de julho. Os deputados estaduais Herculano Borges (Solidariedade), Lidio Lopes (PATRI), Antônio Vaz (Republicanos) e João Henrique (PL) se solidarizaram com membros e pastor da igreja que teve seu culto interrompido.

Segundo o deputado Herculano, a atitude foi arbitrária e desrespeitou a Lei 5.502/2020, de sua autoria, que reconhece a atividade religiosa como essencial para a população de Mato Grosso do Sul em tempos de crises ocasionadas por moléstias contagiosas ou catástrofes naturais.

“Os guardas chegaram com o giroflex ligado e acabaram com o culto, assustando pessoas que estavam ali já fragilizadas pela pandemia, em busca do fortalecimento espiritual. Quero me solidarizar com o pastor Denilson e dizer aos órgãos municipais que vamos nos posicionar para defender a liberdade religiosa, seja de qualquer manifestação de fé, que é constitucional e foi reconhecida como atividade essencial. Queremos respeito, só isso”, afirmou Herculano Borges.

Em Alagoas, O decreto governamental mais recente permite o funcionamento interno de igrejas, sem aglomerações, mas a medida está sendo usada contra os líderes religiosos, conforme denúncia feita pelo deputado Antônio Albuquerque (PTB), no fim de maio. Na época, ele revelou que pastores evangélicos do Estado estão sendo perseguidos e alguns deles foram parar na delegacia.

"Estes pregadores da Palavra tiveram que dar satisfações e explicações por estar em suas igrejas, durante alguns momentos, com algumas pessoas. Ora, não se pode atribuir um crime a pastores e padres que, reconhecidamente, não causam nenhum mal à sociedade", afirmou.

DISQUE 100
Denúncias sobre perseguição e intolerância religiosa devem ser feitas ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos através do Disque 100.