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Filme traz visão distorcida do Brasil evangélico Divino Amor é um filme brasileiro dirigido por Gabriel Mascaro, que conta a história de uma mulher profundamente religiosa e funcionária de um cartório que utiliza sua posição no trabalho para tentar salvar casais que chegam para se divorciar.

A trama chega aos cinemas nesta quinta-feira, 27 de junho, mas começou a tomar forma há 4 anos, e fala de um Brasil de 2027, sugerindo uma religião que permeia diversos setores da vida, incluindo o Estado.

Divino Amor,  longa que estreou mundialmente no Festival de Sundance e participou da Mostra Panorama do Festival de Berlim, traz como protagonista a atriz Dira Paes, no papel de Joana.

O filme começa com uma “rave pentecostal” onde corpos dançam contra a luz enquanto esperam a vinda de um suposto messias e sua promessa de amor eterno.

Joana acredita na força do matrimônio, e ao recuperar relações, barganha com Deus pela obtenção de seu próprio milagre: uma gravidez muito desejada.

Ao seu lado, também tem a “comunidade” da “congregação” ‘Divino Amor’, um ambiente que reúne casais para uma espécie de terapia com técnicas progressistas liberais, mas sob viés estritamente religioso.

O filme tenta a qualquer custo associar a imagem dos evangélicos ao profano. O país ainda é laico, mas Joana usa o Estado como espada de sua cruzada. Leva as pessoas que atende para um grupo de apoio de casais.

Parte da terapia consiste em um marido manter relações sexuais com a mulher do outro, mas destrocarem na hora do orgasmo.

“(O filme) não julga os personagens”, avalia Mascaro, “a fé da Joana nunca foi uma questão, mas (é sobre) a lógica de mercado que a torna uma produtora de commodities”.

Através de alegorias quase caricatas, o diretor exemplifica e expõe esse debate que, em sua opinião, é negligenciado. O drive thru da oração, que coloca à disposição um pastor para qualquer fiel que necessitar de conselhos, de dentro do seu carro, como num lava-rápido ou restaurante de fast-food, ou mesmo os encontros da ‘Divino Amor’, são elementos polêmicos do filme.

Expectativa. 

“Eu tenho um primeiro olhar de que (o filme) parece uma afronta, é o olhar mais raso. E talvez tenham esse olhar raso”, avalia Dira Paes, “mas o que a gente está propondo é avaliar se vale a apropriação de qualquer coisa, qualquer elemento, qualquer prática para ter mais fieis na Igreja? Até onde a fé te leva? Você é capaz de tudo para alcançar uma graça?”