Vacina contra coronavírus deve sair ainda este ano, segundo indústrias farmacêuticas Os executivos da indústria farmacêutica são otimistas e acreditam que uma vacina contra o novo coronavírus seja produzida ainda em 2020. No entanto, eles alertam que os desafios para produzir e distribuir bilhões de doses necessárias serão gigantescos.

Mais de 100 laboratórios de todo mundo lutam contra o tempo para produzir uma, ou várias, vacinas contra o novo coronavírus. Destes, dez alcançaram a fase de testes em humanos até o momento.

No momento, há seis vacinas promissoras sendo testadas, sendo que quatro poderiam começar a ser produzidas ainda este ano. Para que a pandemia acabe, os especialistas dizem que 60% da população têm que estar protegidos, com anticorpos contra o novo coronavírus. É por isso que a vacina é fundamental para que o mundo volte ao normal.

"A esperança de muitas pessoas é que consigamos uma vacina, talvez várias, até o fim do ano", disse o diretor-geral da AstraZeneca, Pascal Soriot, em uma entrevista coletiva virtual na quinta-feira (29).

A empresa britânica está associada à Universidade de Oxford para a produção e a distribuição da próxima vacina no mundo todo.

Albert Bourla, diretor da Pfizer, que organiza testes clínicos com a empresa alemã Biontech, também acredita que será possível obter uma vacina antes de 2021.

Vários anos são necessários para colocar uma vacina no mercado, mas diante da pandemia de COVID-19, as vacinas experimentais consideradas seguras e eficazes poderão ser lançadas em prazos recordes.

A Federação Internacional da Indústria de Medicamentos (IFPMA) adverte, no entanto, que a produção e a distribuição de vacinas enfrentam desafios "gigantescos".

Um deles, paradoxalmente, é que os índices de transmissão do vírus registrem uma queda rápida na Europa, onde acontecem vários testes médicos.

Estes índices serão muito frágeis para constatar seus efeitos em um meio natural, preocupa-se Soriot, ao destacar que os estudos, nos quais os voluntários se expõem intencionalmente ao vírus para medir a eficácia de uma vacina, não são eticamente aceitáveis no caso da COVID-19.

Existem ainda questões que a ciência precisa responder. Será preciso verificar, por exemplo, se todo mundo que recebe a vacina está mesmo protegido; se idosos e crianças respondem da mesma maneira; se a imunização é definitiva; e quantas doses são necessárias. Só então, com a vacina descoberta e todas essas questões respondidas, será possível saber os laboratórios capazes de produzir e com que velocidade.

Armazenamento
O mundo vai precisar de duas doses de vacina por pessoa, ou seja, 15 bilhões, de acordo com algumas estimativas, um verdadeiro quebra-cabeças logístico, alerta o diretor da IFPMA, Thomas Cueni.

A indústria farmacêutica se comprometeu em garantir uma distribuição equitativa das vacinas validadas, mas "não teremos as quantidades necessárias no primeiro dia, mesmo trabalhando de maneira extra", admite Cueni.

Quando a vacina estiver disponível, terá de ser colocada em pequenos frascos de vidro.

"Mas não existem frascos suficientes no mundo", constata Soriot.

A AstraZeneca e outros grupos estudam a possibilidade de armazenar várias doses por recipiente.

Uma vez pronta, há a preocupação de a vacina chegar também aos países mais pobres, como o Brasil.

Os 194 Estados-membros da OMS aprovaram no último dia 19 uma resolução que apoia a possibilidade da quebra de patentes de futuras vacinas ou remédios para a Covid-19, atendendo a uma demanda dos países mais pobres para que seja garantido o acesso global igualitário a futuros tratamentos. Apesar de não terem bloqueado a aprovação da resolução, os Estados Unidos rejeitaram trechos que falavam de propriedade intelectual.

Essa preocupação não é só do Brasil, mas de vários outros países, afinal, as empresas farmacêuticas se arriscam, investem dinheiro e querem recuperar o investimento. E os países mais ricos, como os EUA, querem proteger sua população logo.