Fiscalização encontra irregularidades em hospital de campanha no Rio Após uma nova fiscalização, mais irregularidades foram encontradas nesta terça-feira (26) no Hospital de Campanha do Maracanã, na zona norte do Rio, pelo Crefito (Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional).

Foram observados vários respiradores antigos, sucateados e inadequados, além da falta do uso dos filtros na saída dos respiradores, segundo o órgão.

A proposta é inspecionar "em todos os aspectos" os contratos com a organização social Iabas em relação à administração dos hospitais de campanha do Maracanã, de São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Casimiro de Abreu, Nova Friburgo e Campos dos Goytacazes.

Pela manhã, a Polícia Federal iniciou a operação Placebo com objetivo de apurar desvio de recursos públicos destinados ao combate ao coronavírus no Rio de Janeiro.

Os agentes apreenderam vários documentos no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel, e em outros 10 endereços ligados a Witzel.

Em nota enviada à imprensa, Witzel disse estranhar que a operação tivesse sido anunciada dias antes por “deputados bolsonaristas”, apontando vazamento, e afirmando ainda que a ação confirma a interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF.

“Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada.”

O presidente Jair Bolsonaro parabenizou pela manhã, em frente ao Palácio da Alvorada, a ação policial no Rio de Janeiro. Bolsonaro disse que soube da ação pela mídia.

Bolsonaro também afirmou que a sanção de socorro a Estados e municípios, de aproximadamente 60 bilhões de reais para serem usados nas ações de combate ao coronavírus, vai ser sancionada entre hoje e quarta-feira (27).

De acordo com o MPF, o inquérito apura suspeitas de que uma organização social contratada para fornecer o material necessário para o funcionamento de hospitais de campanha montados pelo governo estadual para atender pacientes com covid-19 fraudou documentos e superfaturou o valor dos insumos.

Ainda segundo a promotoria, a ação teria a participação de agentes públicos, incluindo gestores da Secretaria Estadual de Saúde, responsáveis pelo processo de compra.

A previsão orçamentária do estado era gastar R$ 835 milhões com os hospitais de campanha em um período de até seis meses. A suspeita é que parte desse valor teria como destino os próprios envolvidos. O esquema para viabilizar os desvios envolveria superfaturamento e sobrepreço, além da subcontratação de empresas de fachada.