Assassinato do menino João Pedro é denunciado à ONU O assassinato do adolescente João Pedro, de 14 anos, ocorrido na última segunda-feira durante uma operação policial no morro do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, foi denunciado à ONU, Organização das Nações Unidas, e à OEA, Organização dos Estados Americanos.

O estudante foi executado dentro da casa de parentes. Seu corpo foi levado por policiais em helicóptero e a família, após peregrinar por vários hospitais por notícias do jovem, só conseguiu localizá-lo cerca de 17 horas depois no IML.

A denúncia pede a responsabilização de todos os envolvidos no assassinato do adolescente, em especial, a não repetição de violações em favelas e periferias.

O articulador da ONG Rio de Paz, João Luiz Silva, acompanhou o sepultamento do jovem e teve acesso a casa onde João Pedro foi assassinado. Silva contou que a residência não estava mais isolada. Moradores, parentes do jovem, informaram que a polícia havia feito a perícia na hora. E que os próprios policiais teriam recolhido os projeteis e cápsulas. Silva contou 72 buracos de bala nas dependências.

"O João falava para mim que queria terminar os estudos dele. Tinha um projeto de fazer faculdade de direito, se formar advogado, ter uma vida digna. Era um garoto muito responsável com os estudos, um filho exemplar. Esse era o meu filho. Infelizmente, cortaram esse sonho dele cruelmente. A polícia fez isso dentro da casa do meu sobrinho. Foi isso que aconteceu: tiraram o sonho do meu filho. O João era um garoto 100%, qualquer pai queria ter o João Pedro como filho. Ele estava brincando na casa do primo e outros colegas. Os policiais chegaram de maneira cruel, sem responsabilidade nenhuma, e fuzilaram meu filho", disse o trabalhador autônomo Neilton Pinto, 40 anos, pai de João Pedro.



O governador Wilson Witzel lamentou a morte do adolescente e afirmou que determinou apuração rigorosa sobre o caso. Witzel também disse que a operação que resultou na morte de João Pedro era da Polícia Federal, que contou com o apoio da Polícia Civil.

A Polícia Federal informou que não iria se manifestar pois já existe uma investigação em curso na Polícia Civil para apurar o fato.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí informou que foi realizada perícia no local e testemunhas prestaram depoimento na delegacia. Os policiais já foram ouvidos e as armas apreendidas para análise.

A Corregedoria Geral da Polícia Civil também instaurou sindicância administrativa disciplinar para apurar a conduta dos policiais civis que participaram da ação no Complexo do Salgueiro.