Brasileiros preferem religião à ciência A desconfiança na ciência atinge 35% dos brasileiros que responderam a pesquisa "Wellcome Global Monitor 2018", feita com 140 mil pessoas de 144 países. O levantamento mostra ainda que um em cada quatro brasileiros acredita que a produção científica não contribui para o país. Quase metade afirma que "a ciência discorda da minha religião" e, desses, 75% disseram que "quando ciência e religião discordam, escolho a religião". Apenas 13% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter "muita confiança" na produção científica.

As entrevistas foram feitas e compiladas pela empresa de pesquisa de opinião Gallup. Os resultados foram divulgados na quarta-feira (19) pela revista científica Science.

A desconfiança sobre a ciência parece ser um fato global. No mundo inteiro, somente 18% das pessoas afirmaram ter "muita confiança" na produção científica. No ranking dos países que mais confiam na ciência, o Uzbequistão está no topo, seguido do Tajiquistão e da Irlanda. Entre as 144 nações, o Brasil fica em 111º lugar.

Em 2017, um estudo, que avaliou o comportamento religioso e espiritual do brasileiro, revelou que 44% das pessoas se consideravam seguidoras de duas ou mais religiões, e 49% nasceram em uma religião diferente da que têm hoje. E o número de pessoas que se diziam espiritualistas foi, pela primeira vez, significativo: se no Censo 2010 esse índice era de apenas 0,03% da população, na pesquisa de 2017 chegou a 4,4%.

Autor do estudo, o psiquiatra Mario Peres, pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER) da Universidade de São Paulo (USP), destacou na época que os dados comprovavam a fama de que o brasileiro tem um lado espiritual forte, e, em quase metade das vezes, pratica o sincretismo — mistura de diferentes cultos, com reinterpretações de seus elementos.