Conheça as histórias de uma idosa e um jovem recuperados de Covid-19 Levantamento da Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos, que monitora casos de Covid-19 em todo o mundo aponta que o Brasil está entre os 10 países com mais recuperados da doença.⁠

Segundo dados divulgados nessa segunda-feira (4), o país tem 42.991 recuperados e aparece em 9º no ranking. Os Estados Unidos lideram, com 180.303 recuperados, seguidos por Alemanha, Espanha, Itália, Irã, China, Turquia e França. Depois do Brasil, o Canadá completa o top 10.⁠

Casos de cura
Asafe Gregório Furtado, de 21 anos, e Sônia Alves, de 69, nunca se conheceram. Mas já podem dizer que têm um testemunho em comum. Além de morarem na Baixada Fluminense e serem evangélicos, eles agora são curados da Covid-19.

Asafe é morador de Nova Iguaçu e trabalha na farmácia do Hospital São Lucas, em Copacabana. Ele começou a sentir-se mal no dia 13 de abril. Teve febre e dores de cabeça (atrás dos olhos).

“No dia seguinte (14) fui até a emergência do hospital onde trabalho porque estava bastante preocupado; quase todos os colaboradores do meu setor já estavam infectados, tendo um dos plantões totalmente sem nenhum colaborador apto a trabalhar; estava aceitando que contrair o vírus não era uma questão de ‘se’, mas de "quando". No dia em que fui atendido o médico me liberou por dois dias, mas não fui examinado. Segundo o médico, o tempo de incubação do vírus é de três dias, e dentro desses três dias o teste poderia apresentar um resultado negativo para o vírus, porém falso”, conta.

Depois de três dias com os sintomas, Gregório já não sentia mais febre, tampouco dor de cabeça, porém estava completamente sem olfato e paladar.

“Fui até o hospital novamente realizar os devidos exames, no dia 16 de abril, e fui liberado por mais dois dias. Após esse tempo, recebi da médica do trabalho do hospital o comunicado de que eu estava infectado, e que deveria retornar ao hospital pra ser avaliado no dia 24 de abril”, comenta.

Nesse período, ele ficou isolado em casa, sem contato algum com as pessoas que moram com ele, algumas do grupo de risco.

“O mais complicado de todo esse processo foi a questão do isolamento. Senti-me triste muitas vezes, principalmente no aniversário do meu pai, Edvaldo da Silva Furtado, no dia 20 de abril. Eu estava no mesmo lugar que ele, mas não pude nem mesmo abraçá-lo. Mas todos cuidaram excelentemente de mim, sem me deixar faltar nada, e com muito carinho”, recorda-se.

O profissional da saúde não apresentou sintomas graves. Reclamou apenas da falta de olfato e paladar. Quando voltou ao hospital para a reavaliação, o médico o declarou curado de Covid-19 e dois dias depois, em 26 de abril, Gregório já estava de volta ao Hospital São Lucas. Desta vez para trabalhar no setor de farmácia.

“O meu paladar e olfato já estão recuperados e me sinto bem. O isolamento com a família está sendo quebrado aos poucos, pra evitar qualquer risco de contaminação”, diz Gregório.

Sônia Alves Pinto, de 69 anos, moradora de Mesquita também teve febre no início da infecção. Foram três dias com temperatura alta até que seu filho a levou ao hospital de emergência do Corpo de Bombeiros, na Zona Norte do Rio, no dia 31 de março.

“Fui atendida, fiz os exames de sangue e a tomografia e, quando veio o resultado, a doutora disse que eu deveria ficar internada. Foram os dias mais difíceis. Eu não comia porque tenho doenças autoimune. Foi complicado”, comenta.

Dona Sônia chegou a falar com sua filha mais velha que não voltaria para casa e até lhe pediu que verificasse se o seu plano funerário estava em dia, pois previa o pior. Felizmente, nada disso foi preciso.

“Acho que alcancei a misericórdia de Deus. Fiquei internada quase duas semanas e depois tive alta. Estou na casa da minha filha de quarentena. Agradeço primeiro a Deus, depois aos médicos e enfermeiras que cuidaram de mim”, conta Sônia.

Ela é grata a Deus e também aos médicos e enfermeiros que acompanharam seu tratamento. Dona Sônia pede para que as pessoas levem a sério os riscos da doença e só saiam de casa diante de uma emergência, mesmo assim usando máscara.

Estes são dois exemplos que testemunham que é possível vencer a Covid-19. Em todo o mundo já há 1,1 milhão de recuperados. Os médicos lutam para que haja o achatamento da curva, que o número de curados será igual ou superior ao de infectados, que hoje está em 3,5 milhões. Alcançar este objetivo é tarefa não só dos médicos, mas de toda a população através dos cuidados necessários de higiene e de afastamento social.