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Prefeito do Rio diz que esta será a semana D de combate ao coronavírus Em tom de alta gravidade, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, disse que a semana que se inicia é a que mais preocupa, porque houve uma aceleração no número de casos do novo coronavírus.

O prefeito afirmou que, se a população não atender às recomendações de ficar em casa, pode endurecer as medidas e determinar o fechamento de vias importantes e até dos calçadões de Bangu e Campo Grande, na Zona Oeste, região que tem registrado grandes concentrações de pessoas, de acordo com o Disk Aglomeração.

– Para nós, essa é a Semana D. Faço um apelo para que, principalmente idosos e pessoas com comorbidades, fiquem em casa. Os que precisarem sair por algo urgente não deixem de usar as máscaras – disse o prefeito, em entrevista coletiva no Riocentro.

Filas em agências da caixa e em lotéricas

Crivella afirmou que vai usar as 300 câmeras do Centro de Operações Rio (COR) para verificar possíveis aglomerações e que a Prefeitura será rigorosa nas punições aos infratores. Contou que teve uma reunião com representantes da Caixa Econômica e mostrou preocupação com as constantes filas nas agências e também nas lotéricas.

O prefeito sugeriu que as apostas passem a ser on-line e que sejam usadas também agências do Banco do Brasil para fazer o pagamento de benefícios. Caso a Caixa não consiga reduzir as filas, a Prefeitura tomará as medidas.

Equipamentos prometidos por Estado e União

Logo no início da entrevista, Crivella expressou absoluta preocupação porque o governo do estado admitiu que não deverá entregar logo os equipamentos prometidos ao município, e também está com dificuldades de abrir os leitos previstos. Além disso, o governo federal informou que não tem prazo para obter os respiradores mecânicos comprados.

Já o município aguarda a chegada ainda essa semana dos equipamentos da China. São 320 respiradores e 70 carrinhos de anestesia, com previsão de chegar mais 400 respiradores até o fim do mês.

O prefeito lembrou ainda que há uma sentença judicial em que o município deveria receber do governo estadual cerca de R$ 150 milhões, mas o repasse foi só de R$ 90 milhões. Crivella ressaltou que esses recursos ajudariam não só no combate à Covid-19, como também na manutenção de três hospitais que eram do Estado e foram municipalizados: Pedro II (Santa Cruz), Albert Schweitzer (Realengo) e Rocha Faria (Campo Grande).

Mais 112 profissionais para o hospital de campanha

Para reforçar a equipe do hospital de campanha, será publicado na edição do Diário Oficial desta segunda-feira (04/05) um ato remanejando 112 profissionais dos hospitais Souza Aguiar, Lourenço Jorge e Salgado Filho para a unidade que funciona no Riocentro.

Crivella também não descartou a possibilidade de contratar médicos brasileiros ou estrangeiros residentes aqui, com diploma de instituições do exterior, mas que não tenham o Revalida – o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos.

– Estamos de braços abertos, até porque vão trabalhar perto de médicos experientes. Seria um Revalida na prática – disse.

Apelo aos deputados

Outro apelo do prefeito foi para que a Câmara dos Deputados rejeite a emenda aprovada pelo Senado, que diminuiu a participação dos municípios no Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus (PLP 39/2020). Antes, estados e municípios iriam dividir ao meio o auxílio financeiro de R$ 125 bilhões, mas os senadores decidiram destinar 60% desses recursos para os estados e 40% aos municípios. O texto voltará à Câmara para nova votação.

– Faço um apelo aos deputados para derrubar essa emenda. Tirar recursos dos municípios nesse momento de pandemia e levar para o estados é uma decisão de quem não está acompanhando o esforço dos prefeitos do Brasil na ponta – disse Crivella.

Inspeções de deputados nos hospitais

O prefeito respondeu a uma pergunta sobre a inspeção de parlamentares no Hospital municipal Ronaldo Gazolla para verificar ocupação de leitos. Ele alertou que os hospitais vão sempre autorizar suas visitas, mas fez o apelo para que eles usem máscaras, porque colocam em risco a vida de outros e as deles.

– Por favor, usem os equipamentos de proteção, usem a máscara. De repente, os parlamentares vão ao hospital, sobretudo o Ronaldo Gazolla, que é dedicado aos pacientes com coronavírus, sem máscara e sem os equipamentos necessários e podem contrair ou transmitir a doença às pessoas. Não desejamos isso.

Corridas de cavalo na Justiça

Sobre o retorno das corridas de cavalo, no Jockey Club Brasileiro, o prefeito disse que já determinou ao procurador-geral do município que entre na Justiça para fazer valer o decreto que impede o funcionamento do espaço esportivo.

– Nós conversamos com o Jockey e eles disseram que não tem apostador no hipódromo. Eu disse que não está certo, porque estão nas casas de apostas e são todos idosos. Lá tem uma televisão e as pessoas assistem aos páreos aglomeradas, numa loja de 6x7m. O decreto está claro, não pode haver corrida de cavalos, mas as pessoas infelizmente não ouvem. Vou entrar na Justiça.

Prefeito pede desculpas aos parentes de pacientes internados

O prefeito pediu desculpas aos parentes de pacientes internados com coronavírus que encontram dificuldades para obter notícias. Disse que há um esforço para melhorar essa comunicação, que possivelmente se dará por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas.

– Quero pedir desculpas à população porque a comunicação entre as pessoas internadas e os seus familiares não está sendo boa. Nós estamos dedicados a melhorar, pegar o WhatsApp das pessoas e mandar mensagem ao menos duas vezes por dia. As famílias estão reclamando, estão angustiadas, a gente não pode deixar entrar nos hospitais por causa da contaminação e elas ficam arrasadas. Peço desculpas, vamos melhorar. Os profissionais estão também estressados e peço compreensão porque estamos comprometidos em melhorar.


*Prefeitura do RJ