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Dia Nacional de Combate à hipertensão: cardiologista alerta sobre os riscos da doença

Comum em todo o mundo, a hipertensão ganhou grande atenção nos últimos meses devido ao risco de agravamento clínico em caso de contração do novo coronavírus. Somente no Brasil, cerca de 25% da população sofre com a doença crônica, de acordo com dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2018.

A enfermidade é caracterizada pela elevação sustentada dos níveis de pressão arterial, maior ou igual a 14 por 9, fazendo com que o coração se esforce de forma excessiva para bombear o sangue por todo o corpo. No entanto, não atinge o órgão de maneira isolada, causando também danos ao cérebro e aos rins.

De acordo com o cardiologista do Hospital Anchieta, Dr. Thiago Germano, a doença que pode acometer pessoas em qualquer idade, não costuma dar sinais. “A hipertensão arterial é uma doença assintomática o que, em muitos casos, retarda o diagnóstico. Desta forma, se fazem necessárias consultas regulares para rastreio da patologia”, comenta.

O especialista explica as causas, de que maneira a doença afeta outros órgãos e como pode agravar os casos do novo coronavírus, além de dar dicas de como se prevenir.

O que causa a hipertensão?

Dr. Thiago Germano: Alguns fatores são determinantes para elevação da pressão arterial (PA). A nicotina encontrada nos cigarros aumenta a PA média diurna dos fumantes. O risco se eleva também naqueles que bebem excessivamente, considerando o consumo de três a quatro doses por dia. Dietas com baixo teor de frutas secas também aumentam o risco de hipertensão. A inatividade física é outro fator de risco para desenvolvimento da patologia. Contudo, os dois determinantes comportamentais mais importantes são o consumo excessivo de calorias e sódio.

Além do coração, a hipertensão pode ameaçar outros órgãos? Quais? De que maneira?

A hipertensão arterial produz uma sobrecarga de pressão no coração, levando a uma hipertrofia do órgão, predispondo a insuficiência cardíaca e arritmias. Além da musculatura, ela também atinge as artérias do coração, provocando isquemia cardíaca. No cérebro a hipertensão arterial acomete os vasos sanguíneos e é um fator de risco importante para AVC e Demência.  Nos rins, gera uma alteração patológica chamada nefroesclerose. Os rins tornam-se pequenos, com cicatrizes e perdem a função de filtragem, sendo necessário em estágios avançados o recurso de hemodiálise. 

Por que os hipertensos correm risco de complicações pelo novo coronavírus?

Portadores de hipertensão arterial sistêmica apresentam um risco individual para novos eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral, maior do que aqueles não hipertensos. A infecção viral pelo COVID -19 traz alterações sistêmicas que sobrecarregam o aparelho cardiovascular, desta forma, pacientes hipertensos estarão predispostos a fatores complicadores com piores desfechos clínicos em caso de contágio pelo vírus. 

Qual a importância da mudança de hábitos para a prevenção e tratamento da hipertensão?

Adquirir hábitos saudáveis é importante prevenção e também funciona como medida efetiva de tratamento. Se esses hábitos fazem parte da vida da pessoa desde a infância, os riscos de desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica são significativamente menores.

Para os diagnosticados, o tratamento se baseia invariavelmente na mudança de estilo de vida. Portando, além dos medicamentos que são receitados de acordo o risco cardiovascular de cada paciente, cessar o tabagismo; manter uma alimentação saudável e balanceada, com redução de calorias e sódio; e iniciar a prática regular de atividade física aeróbica, são atitudes essenciais para o controle da doença.