Falso pastor é acusado de abuso contra menores Pelo menos 14 adolescentes confirmaram ser vítimas de um falso pastor no Paranoá/DF. Gilmar Oliveira dos Santos, 36 anos, usava o nome de “Anjo Eric” e se intitulava “Pai” para conquistar a confiança dos menores e levá-los para sua casa, onde cometia os crimes.

Oito meninos e meninas prestaram depoimento na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), que investiga o caso. Ele é acusado de se passar por líder religioso e atrair crianças e adolescentes até a casa dele, no Itapoã, para abusar sexualmente deles. O homem foi preso na segunda-feira (17/6).

O suspeito passou por várias igrejas e marcava reuniões de oração e louvor na residência. Além disso, prometia presentes, lanches e jogos. Ele chegou a prometer se casar com uma das vítimas, de 15 anos. Quanto aos abusos, o autor alegava receber ordem de anjos para cometer os atos.

Pelo menos três meninas se mutilaram quando descobriam que o suspeito se envolvia não apenas com elas, mas com outras adolescentes.

"Elas cortavam os pulsos com gilete. Uma delas chegou a fazer um corte na coxa com uma frase", afirmou a delegada responsável pelo caso, Jane Klébia.

O homem morava com dois filhos, um de 7 e outro de 12 anos. Durante a manhã, trabalhava fora e, à tarde, ficava com as vítimas em casa.

"Para ter a companhia das vítimas, ele ia na escola delas, se passava por pai ou padrasto, e pedia para a criança ser liberada da aula. Uma delas, inclusive, reprovou de ano por excesso de faltas", disse a delegada.

Uma mãe que não quis se identificar contou que estranhou o comportamento do homem com os jovens das igrejas. No entanto, como ele parecia ser de confiança dos pastores conhecidos, deixava as filhas irem à casa dele.

"Um dia ele marcou uma vigília. As meninas saíram de casa às 19h, deu meia-noite e nada de elas voltarem. Eu liguei pra ele e disse que se minhas filhas não chegassem em casa naquela hora, eu iria na delegacia denunciar. Em cinco minutos elas chegaram. Com certeza, ele ficou com medo", disse a mãe.

O falso pastor foi detido pelos crimes de estupro de vulnerável e de posse sexual mediante fraude, sendo este último devido à existência de um enredo para atrair as vítimas. Pelo primeiro crime, o autor pode pegar pena de 8 a 15 anos de prisão e, pelo segundo, pena de 2 a 6 anos.