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Bolsonaro diz que Moro pediu indicação ao STF em troca de demissão de diretor da PF O presidente Jair Bolsonaro, em pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24), falou sobre os motivos que o levaram a demitir Maurício Valeixo do cargo de diretor geral da Polícia Federal, o que levou Sergio Moro a pedir demissão como ministro da Justiça e Segurança Pública. Cercado por seus ministros, Bolsonaro disse que Moro sabia da demissão e que havia pedido que ela fosse postergada para novembro, depois que Bolsonaro fizesse sua indicação para o Supremo Tribunal Federal.

Segundo o presidente, em uma conversa com Moro nesta quinta, o ainda ministro disse que poderia haver a troca de Valeixo sim, desde que, em novembro, seu nome fosse indicado ao STF. Bolsonaro disse que sua resposta foi reconhecer as qualidades do ex-ministro, porém negar a troca. "É desmoralizante para um presidente ouvir isso."

Bolsonaro também acusou Moro de ter compromisso com seu ego, lembrando o que o ex-ministro havia dito mais cedo de que não poderia permanecer no cargo, pois precisava “preservar sua biografia”.

"Ao prezado ex-ministro. Como você disse na sua coletiva por três vezes que tinha uma biografia a zelar, eu digo que eu tenho o Brasil a zelar", disse Bolsonaro no pronunciamento desta tarde.

O presidente disse ainda que Valeixo dizia estar cansado do cargo e que, na quinta-feira, em uma videoconferencia com 27 superintendentes da PF, disse que desde janeiro vinha falando com Moro que queria deixar a PF. "Os superintendetes são prova disso", afirmou Bolsonaro.

Em agosto de 2019, o presidente disse que o diretor da PF era subordinado a ele e não a Moro, sinalizando que pretendia trocar o comando. No começo deste ano, Bolsonaro afirmou disse que estudava a recriação do Ministério de Segurança Pública. Nos planos, estaria retirar do ministério os comandos de seus três principais órgãos: a Polícia Federal, o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) e a PRF (Polícia Rodoviária Federal).

PGR pede investigação de declarações de Moro
O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (24) para abrir um inquérito sobre os fatos narrados e as declarações feitas pelo então ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.

Entre as providências, o procurador-geral solicita ao Supremo a oitiva de Sergio Moro em razão da abertura do inquérito. O ministro anunciou um pedido de demissão do cargo na manhã desta sexta, após Jair Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Leite Valeixo.

Caberá a um ministro relator – ainda a ser definido na Corte – dar o aval e abrir a investigação.