Paulistanos foram às ruas pedir “fora, Doria” A tradição popular diz que o sábado que antecede a Páscoa é o Dia de Aleluia, dia de “malhar o Judas”. Principalmente no interior, as pessoas costumam fazer um boneco de pano e pendurar no portão da casa do seu desafeto para em seguida surra-lo. Mas ontem (11) na capital paulista o desafeto de uma parte da população foi “surrado” de uma forma diferente. Aliás, dois desafetos. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que acusam o governador João Doria de traí-lo, fizeram carreatas contra as medidas restritivas de isolamento social adotadas pelo governo de São Paulo. Em diversas regiões da cidade, eles pediram o impeachment do governador de São Paulo e chamaram a Rede Globo de “traidora da Pátria”.

De dentro dos seus carros os manifestantes, vários deles usando máscaras cirúrgicas, gritavam "fora Doria" e bordões contra o comunismo como "nossa bandeira jamais será vermelha". Vários veículos levavam bandeiras do Brasil, outros bandeiras de São Paulo, símbolos do império e até a bandeira dos EUA.

O protesto foi convocado pelo WhatsApp em grupos de caminhoneiros e motociclistas e seu ponto de maior adesão foi no começo da noite, quando a avenida Paulista teve trânsito congestionado nos dos sentidos.

A manifestação começou na frente do Ginásio do Ibirapuera, local que vai abrigar o terceiro hospital de campanha da cidade. Um homem na caçamba de uma caminhonete fez um discurso pedindo para as pessoas não assistirem à Globo e à Band e boicotar qualquer marca que anunciar nestes canais. Ele ainda acusou a China de financiar as redes de televisão em associação com Doria.

Os manifestantes seguiram para a avenida Paulista e de lá partiram para a sede da TV Globo na capital paulista. Pelo menos 200 pessoas estavam no local e a maioria desceu do carro. Eles repetiram coros chamando a emissora de traidora da pátria.

Assim como o presidente Bolsonaro, os manifestantes se opõem a medidas de isolamento social e argumentam que o impacto econômico será grave. Alguns carros tinham faixas pedindo a saída de João Doria, considerado traidor por se eleger associando sua imagem à do presidente nas eleições de 2018.