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Brasileiros pedem Bolsonaro para Nobel da Paz por defesa do uso da cloroquina

Uma campanha pela indicação do presidente Jair Bolsonaro ao prêmio Nobel da Paz tornou-se no começo da tarde desta quinta-feira (9), o assunto mais relevante do Twitter brasileiro. A #JairNobeldaPaz acumulava até as 12h30 mais de 40 mil menções, dividindo usuários entre os que defendem que o entusiasmo do presidente com a medicação hidroxicloroquina é digno de um Nobel e os que ironizam a campanha promovida pelos bolsonaristas.



Entre os defensores do presidente, provocações do tipo "a esquerda está surtada" aparecem ao lado de piadas que reforçam a ligação entre o presidente Bolsonaro e a administração da cloroquina aos doentes da Covid-19. A frase "sou a favor de mudar o nome do medicamento para bolsofato de hidroxicloromito" tem sido tuitada muitas vezes.



Os bolsonaristas compartilham da crença do presidente de que a cloroquina pode ser parte da solução do problema gerado pelo coronavírus. Para um dos usuários,



"Deus se agradou do nosso jejum, e haverá prosperidade no Brasil e nós iremos liderar o mundo através do nosso presidente Jair Bolsonaro", em referência ao dia de jejum e oração que aconteceu, no último domingo (5/4), incentivado pelo presidente.



O presidente Jair Bolsonaro tem defendido, com ênfase, que o tratamento com as substâncias é o caminho para a cura. Ontem, pelas redes sociais e em pronunciamento à nação, usou a situação como ferramenta para provocar o debate.



“Cada vez mais, o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz”, disse. Sem citar nomes, Bolsonaro alfinetou o coordenador do Centro de Contigência contra o Coronavírus do estado de São Paulo, o infectologista David Uip, e ainda incluiu no questionamento o cardiologista do Hospital Sírio-Libanês Roberto Kalil, ambos recentemente infectados pelo vírus.



“Dois renomados médicos no Brasil se recusaram a divulgar o que os curou da Covid-19. Seriam questões políticas, já que um pertence à equipe do governador de SP?”, indagou, nas redes sociais.



Cientistas apoiam uso da cloroquina

Cientista, doutor químico e bioquímico, o professor Marcos Eberlin, membro da Academia Brasileira de Ciências, em parceria com mais 30 cientistas, fez duras críticas ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao publicar um documento em defesa do uso da hidroxicloroquina em pacientes não graves de Covid-19, assim como tem defendido Bolsonaro.



No início do texto, o cientista Marcos Eberlin começa declarando que Mandetta “desaconselha o uso da (hidroxi)cloroquina ou sua associação com azitromicina (HCQ + AZT) para doentes não graves, e diz que o ministro justifica a decisão pela “falta de consenso científico”. “Ciência, ciência, ciência, seguimos a ciência!”, proclama o Senhor Ministro, soando, para muitos, como culto e prudente. Porém, ele está equivocado!”, afirmou Eberlin.



O doutor em química e bioquímica alega que, em plena pandemia, não existe tempo hábil para esperar conclusões científicas de um medicamento que vem sendo usado há muitos anos.



“Exigir consenso científico e que cientistas em suas sociedades científicas se reúnam e cheguem a uma posição consensual, em meio a uma pandemia, é revelar temor em agir num momento premente como o que vivemos”.



O cientista continua criticando Mandetta ao dizer que “pedir consenso é justificar uma omissão”. Eberlin continua sua defesa em favor da medicação alegando que se os cientistas sabem, nem que seja um pouco, que esse pouco seja usado aqui e agora.



“Com a autoridade científica que meus feitos me outorgam, não tenho dúvidas em declarar que o senhor ministro da Saúde, Henrique Mandetta, equivoca-se tremendamente ao clamar por consenso científico nas atuais circunstâncias”, reforçou.