Ronaldinho Gaúcho ficará em prisão domiciliar Após 32 dias na cadeia, Ronaldinho Gaúcho e o irmão, Assis, passarão para o regime de prisão domiciliar. Segundo a Justiça do Paraguai, o ex-craque precisou desembolsar 1,6 milhões de dólares, cerca de R$ 8,4 milhões, em fiança e ficará sob vigilância em um hotel na capital Assunção. É possível que eles usem tornozeleira eletrônica. Isso enquanto não termina a investigação sobre os reais motivos dos passaportes falsos.

Ronaldinho e Assis foram presos no dia 4 de março por estarem portando passaportes paraguaios falsificados. A Justiça Paraguaia suspeita que a dupla estaria ligada a um esquema de lavagem de dinheiro. Só pelos passaportes falsos, eles podem pega uma pena de cinco anos de prisão.

Apesar de seus advogados entrarem com três pedidos para que passassem ao regime de prisão domiciliar, a justiça paraguaia, com medo de que fugissem para o Brasil, que não extradita seus cidadãos, negou.

Ronaldinho Gaúcho passou seu 40º aniversário, dia 21 de março, na cadeia. O atleta que foi duas vezes o melhor do mundo, em 2004 e 2005, dividia cela com o irmão Assis, na Agrupación Especializada da Polícia Nacional, um quartel que foi improvisado como prisão. Abriga pessoas ligadas ao crime organizado, lavagem de dinheiro, políticos e ex-militares.

Os dois usavam um banheiro comunitário. Mas Ronaldinho foi tratado como estrela no presídio. Deu autógrafos e jogou futevôlei e futsal com os outros presidiários.

O governo paraguaio tinha seis meses para seguir com a prisão preventiva. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, chegou a ligar para autoridades paraguaias, quando o ex-jogador foi preso. Mas não se envolveu mais, até por não saber se Ronaldinho e Assis são culpados de algum crime.

Nesta parte da investigação, que já tem mais de um mês, cinco celulares tiveram o sigilo devassado. Dois pertenciam a Assis, um ao empresário Wilmondes Souza, outro à sua esposa. Paula Lira. E o último, a María Isabel Gayoso, funcionária que conseguiu os passaportes.

A princípio, Assis teria ido ao Paraguai para abrir uma empresa com Wilmondes. E os passaportes paraguaios ajudariam a apressar todo o processo.

Paula Lira é amiga da empresária Dalia Lopez. Ela foi quem bancou a ida dos irmãos para o Paraguai e quem pagou pelos passaportes falsificados. Ronaldinho seria o garoto-propaganda de uma ONG presidida por ela, que transformaria ônibus em clínicas móveis para a população mais pobre de Assunção.

Mas o Ministério Público paraguaio acredita que a ONG seria uma desculpa para lavar dinheiro do tráfico ou de facções criminosas. Dalia está foragida da justiça.