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Wilson Witzel fala à rádio Melodia sobre ações de enfrentamento ao coronavírus

Nesta quarta-feira (18) o apresentador Eliel do Carmo entrevistou no programa Disk-M da rádio Melodia o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que ontem decretou estado de emergência no Estado em razão da pandemia de coronavírus. Witzel confirmou que em 30 dias o Estado terá seus primeiros leitos em hospitais de campanha. A seguir você lê a entrevista exclusiva na íntegra.



Eliel do Carmo: Agradeço muito a oportunidade de fazer contato com o governador para discutirmos um problema tão grave como esse que está atingindo o mundo inteiro, e que infelizmente também chegou ao nosso país. Governador, o que significa na prática o estado de emergência decretado pelo Senhor?



Wilson Witzel: Eliel, nós estamos seguindo os protocolos internacionais. Alguns países que foram acometidos por essa doença tomaram medidas como nós estamos tomando mais lentamente, outros foram mais rápido. Nós estamos conseguindo verificar que essas medidas mais rápidas vão permitir que nós controlemos a disseminação do vírus. É um vírus que se espalha muito rapidamente e atinge as pessoas mais velhas com maior intensidade. E a experiência recente tem mostrado que essas pessoas têm dificuldades de conseguir sobreviver. Os casos de morte na Itália são gigantescos, são corpos e mais corpos em uma situação muito traumática, porque esses corpos têm que ficar isolado, o sepultamento tem que ser isolado, há um indicativo médico de serem cremados e que a família não pode assistir. Então é uma tristeza muito grande. A Itália passou por isso porque demorou, segundo os especialistas, a tomar essas medidas. É muito duro porque nós sabemos o quanto as pessoas estão agora se sentindo impotentes em deixar os seus trabalhos, as lojas sendo fechadas, estabelecimentos comerciais... E todo mundo começa a se perguntar, “o que será?”. Mas eu quero dizer, Eliel, que Deus tem me dado muita força nesse momento. Eu tenho pedido a Ele que me ajude, que me dê força para orientar nosso povo e conseguir com sabedoria obter o gênero de primeira necessidade. Já estou preocupado com isso, já estou conversando com nossa equipe para que a gente possa ajudar aquelas pessoas que não terão trabalho, não terão dinheiro e precisam comer. Agora que a população entendeu, que todo mundo entendeu, que o momento é de ficarmos em casa com as nossas famílias, protegendo nossas famílias, nós vamos ter que agir para prover essas pessoas. Aquelas que não tiverem condições de comprar alimentos, nós já estamos trabalhando para poder ter uma logística de abastecimento. Muitas pessoas vão poder comprar, mas muitas pessoas que são ambulantes, que trabalhavam nas praias, os comerciantes que foram demitidos, essas pessoas em breve não terão salário e nós não vamos poder prover essas pessoas financeiramente. Então nós vamos ter que levar alimentos. Então já estou providenciando um trabalho para encontrar a solução para isso, para que a nossa população mais carente não fique desassistida. Então, Eliel, peço a todos que agora orem pelo nosso país. Agora é o momento de união e quero agradecer a todos que atenderam aos nossos pedidos e agora estão cumprindo com as determinações de forma ordeira. Diga-se de passagem estou muito orgulhoso do nosso povo que está fazendo de forma ordeira, estão uns chamando atenção dos outros. Nossa Polícia Militar está nas ruas de forma ordeira, pedindo para as pessoas irem para casa, assim como o Corpo de Bombeiros. E acima de tudo, Eliel, eu quero aqui fazer um agradecimento especial aos nossos profissionais da Saúde, aos nossos médicos. Ontem um relato do nosso secretário de Saúde, a esposa dele, que também é médica, e eles têm um filho em casa que é uma criança que tem um alto potencial de risco. E a mãe trabalha com aquele sentimento de que o filho é alguém vunerável à doença, que tem deficiência imunológica, mas ela vai trabalhar porque ela é médica. Isso é para nós um exemplo, Doutor Edmar e a sua esposa é para nós um exemplo e eu não posso deixar de fazer aquilo que eles estão determinando. Nós estamos seguindo as orientações médicas, nós queremos salvar o maior número de pessoas e pedir a Deus que nos abençoe, a gente não sabe exatamente quais os desígnios de Deus para o que está acontecendo com o mundo, mas nós temos que dar a resposta. Então em primeiro momento nós tivemos que fazer isso, pedir às pessoas para votarem para suas casas, as crianças não vão ter escola. É um prazo que infelizmente não será de 15, de 30 dias, mas pelo menos de 90 dias. Serão momentos de mudança completa de hábitos da nossa vida, a correria do dia a dia vai dar lugar ao convívio familiar, a relação da mãe com o filho que só via uma hora por dia, vai ter que estar com ele o dia todo, os pais, o marido, a esposa, os filhos. E temos cuidado com os idosos, porque eles são grupos de maior risco se forem contaminados. Então essa é a realidade que nós estamos vivendo. Nós estamos tomando todas as precauções para ajudar o nosso povo. E estamos trabalhando para ajudar aqueles que ainda precisarão de nós.



Governador, queria saber do senhor sobre esse hospital de campanha?



Já mandamos o ofício ao presidente da República pedindo a mobilização dos hospitais de campanha, mandamos no dia 13 de março, mesmo dia em que eu tomei as primeiras medidas. O Exército Brasileiro já tá em contato com o nosso GSI, que é o Almirante Luís Correia, já está preparando aí o envio de material e nós estamos preparando para daqui a 30 dias termos uma quantidade de leitos de entorno de 300 leitos de CTI, que é o maior problema. Queremos preservar os idosos. As mortes que ocorreram até agora: uma em São Paulo confirmada e outra aqui no Rio, suspeita, são de pessoas acima de 60 anos. E os pacientes que hoje estão em estado grave também são pacientes idosos. É uma doença que atinge a todos nós, mas os idosos têm deficiência imunológica e por isso são os que sofrem mais.

Então é o momento de a gente fazer uma reflexão. Os nossos jovens é que são os principais vetores dessa doença e as pessoas idosas são as mais vulneráveis. Aquelas pessoas que a gente mais ama, os nossos avós, os nossos pais. É um momento de união, momento de solidariedade. Por uma questão humanitária esses hospitais de campanha terão que atender as pessoas mais velhas e nós não queremos, por isso tomamos essas medidas, que esses hospitais fiquem abarrotados. Não queremos que aconteça o que acontece na Itália, onde foi obrigada a ser feita uma escolha, entre quem vive e quem morre. Eles não estão atendendo pessoas acima de 80 anos, e as pessoas estão morrendo em casa. É muito triste e doloroso. Anteontem eu tive conhecimento que foram 300 mortes em um único dia Isso é um completo caos, Nós não queremos que aconteça isso aqui no Brasil, muito menos no Rio de Janeiro. Estou tomando as providências, os demais governadores também estão tomando as providências. Não se trata de alarmismo, se trata de seguir orientações médicas e eu tenho que tomar as providências e agora nós vamos ter que superar essa questão de atendimento às pessoas mais necessitadas. Então, Eliel, esses hospitais vão estar prontos em aproximadamente 30 dias, estamos trabalhando em três terrenos para construir novas instalações, e vamos construir rápido essas instalações, além da rede privada que conta também com 600 leitos de CTI. Eu acredito que nós estamos preparados para superar essa crise. Nós agimos rápido e agora é uma questão de logística para que a gente possa atender essas pessoas. Nós temos experiência dos países que já passaram por isso. O Japão foi devastado por maremoto, foi devastado por guerras e conseguiu se reerguer. A união do povo é que vai demonstrar essa condição de nos reerguermos.



Obrigado, governador. Tenha a Melodia como aliada nessa guerra, nesse enfrentamento ao coronavírus. Eu quero agradecer a gentileza do senhor de nos atender nesta manhã, o microfone aberto, receba o abraço do Fábio Silva, de toda a família Melodia. Estamos juntos, governador.



Obrigado. Peço a todos as suas orações. Elevem seus corações a Deus para que a gente possa sair fortalecidos dessa praga que está nos atingindo. Certamente que algo pode sair de positivo disso, a união de todos nós, as famílias. E nós vamos sair mais fortalecidos e vamos conseguir depois reerguer nosso Estado, reerguer o nosso país. É o que eu espero eu tenho certeza que Deus está iluminando nosso caminho. Muito obrigado.