Oração é aliada no tratamento de doenças Os recursos da fé e da oração, tão sensíveis nas palavras de Pedro, têm valor terapêutico e podem emprestar resiliência e um maior apego à vida, sendo suporte para pessoas em tratamento. É o que indicam estudos reunidos no livro “Psicologia Fenomenológica e Saúde: Teoria e Pesquisa”, publicado em 2019 e organizado pela professora do curso de psicologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR) Joelma Ana Espíndula.

Acompanhando histórias de pacientes oncológicos há 23 anos, ela é categórica ao afirmar que religiosidade, espiritualidade e fé são manifestações comuns a espaços dedicados ao tratamento de doenças. Para a psicóloga, a oração, que é celebrada mundialmente nesta sexta-feira (06), é “um meio de suporte e sustento fundamental nos momentos de dor e sofrimento”.

Apoio
Para a estudiosa, a emergência da espiritualidade proporciona às pessoas em tratamento de doenças crônicas ou graves uma sensação de apoio, de consolo e de paz – além de fornecer motivação para a superação de dificuldades a partir da busca e do entendimento de um sentido de vida, que vai além do reducionismo biológico.

Assim, não surpreendeu o fato de pacientes ouvidos por Joelma em diversas ocasiões – para a produção tanto de sua dissertação de mestrado quanto para sua tese de doutorado – “buscarem a fé e a religião como meios para se apoiarem em uma força superior para um melhor enfrentamento da situação”.

Força da fé
Lembrando que um radicalismo nas manifestações de fé – quando, por exemplo, um paciente chega a abrir mão de recomendações médicas para obedecer preceitos religiosos – costuma ser prejudicial ao tratamento, a psicóloga Joelma entende “a oração também como um momento terapêutico, em que a pessoa consegue se apropriar da própria vida”.

Pesquisando desde 1997 a relação de pessoas em tratamento de doenças graves ou crônicas e a religiosidade, a estudiosa indica que profissionais da medicina não apenas respeitam como também reconhecem a efetividade da fé como suporte no processo de cura. “Em minha experiência, mesmo os médicos ateístas entendiam que a busca por espiritualidade se converte em uma força que ajuda na caminhada, que é essencial para o enfrentamento de doenças – até por oferecer uma perspectiva de sentido para a vida dessas pessoas”, garante.