Deixe o Rei nascer no seu curral

O Cristo nascido em uma manjedoura é o Cristo que apequenou-se. A infinidade de Deus jamais poderia caber na pequenez humana, contudo o desejo de Deus nunca fora estar distante de sua criação, antes, fazer de nós filhos; por isso Ele abrevia-se, encolhe-se, apequena-se. O Eterno faz-se temporal, o Ilimitado, limita-se a um corpo. O Menino que nos nasceu é o Deus que se diminuiu para caber primeiro numa manjedoura, e então em nossos corações. Por isso que hoje Ele não pergunta como está o nosso coração, mas sim se nele há ou não espaço para Ele. Porque veja: "ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria." (Lc 2:7).



Estamos sujeitos a esse risco, de que nas muitas pré-ocupações cotidianas falte-nos espaço para o nascimento de Cristo; que estejamos com a estalagem de nossos corações tão abarrotados de utilidades e inutilidades, coisas vãs e passageiras, vaidades e vaidades, que não sobre lugar para o Rei. Então a grande questão aqui não é nem o que tem tido lugar ou não em nossos corações, mas sim, se há ou não espaço para Jesus! Hoje! Por menor que seja o espaço, Ele apequenou-se justamente para em nós caber.



Mesmo que o seu coração não seja mais um lugar aprazível, seja um resto, seja o presépio, o curral onde habitam animais e seus dejetos; ainda assim, se houver espaço para Cristo, Ele entrará. “Em algumas representações natalícias da Baixa Idade Média e princípios da Idade Moderna, o curral aparece como um palácio arruinado. Ainda se pode reconhecer a grandeza de outrora, mas agora foi à ruína, as paredes caíram: tornou-se, isso mesmo, um curral. [...] No curral de Belém, lá precisamente onde se verificara o ponto de partida, recomeça a realeza ‘davídica’ de maneira nova: naquele Menino envolvido em panos e recostado numa manjedoura.” (Homilia de Natal , 2007 ). Desperdiçaremos o esforço divino por nós? Talvez o único cômodo que haja seja o lugar dos animais, e você nesse exato momento esteja lotado de sujeira; você vai abrir a porta para Cristo? Porque Jesus insiste em nos dizer: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo." (Ap 3:20). Qual porta? A que você tiver! Quantas vezes você deixou de executar os desígnios de Deus, pois você se achava indigno? Quantas das vezes você não ergueu as suas mãos, pois elas estavam profanas demais para alcançar o Santo? Quantas vezes você se omitiu, abandonou a grande obra, porque havia pecado? Só que o Pai nunca perguntou se você é ou não digno de ser filho, ou deve ser tratado como um trabalhador; antes, Ele está no portão lhe esperando para abraçar e festejar!



É inútil a sua autopiedade de cair em si se não retornar para a casa do Pai; pois a pergunta nunca foi ‘onde o receberam?’, mas sempre foi ‘quem o recebeu?’, porque a estes Ele deu o poder de serem feitos seus filhos (João 1:12). Jesus está batendo à sua porta, agora, nesse momento instantâneo. O "olho mágico" olha de dentro para fora, e não de fora para dentro; Ele não está olhando ou tão pouco perguntando como está ai dentro, Ele está é batendo na porta! Você não tem forças para arrumar sua alma sozinha, você pode ter total consciência de que Ele é digno do palácio, mas você sozinho não vai conseguir transformar o seu curral em castelo!



Mas se você abrir as portas, deixar que Ele entre, que pise nos dejetos dos animais que se amontoam no seu chão, que respire o mofo de suas paredes, que veja a vergonha da sua nudez. Então, Ele transformará a sua abóbora em carruagem, não aquela que se desfaz às doze badaladas, mas eterna, porque ai será a morada dEle! Dê tudo àquilo que você tem agora para Ele; mesmo que seja muito pouco, mesmo que seja nada. Não importa como esteja o seu coração, ou o que tenha sobrado dele, nem mesmo o quão sujo ele esteja.



Deixe o Rei nascer no SEU curral.


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