Sociedade Brasileira de Neurocirurgia alerta para perigo do “desafio da rasteira”

Um novo desafio vem preocupando pais, educadores e médicos enquanto ganha popularidade entre crianças e jovens. A 'brincadeira da rasteira', com ar de pegadinha, consiste em duas pessoas desequilibrando uma terceira, posicionada entre as outras, enquanto ela pula. Também chamada de ''quebra-crânio'' ou ''roleta humana'', a brincadeira de mau gosto, apontam especialistas, pode provocar danos irreversíveis na coluna e na cabeça, além de oferecer risco de morte. Há alguns anos, o 'desafio do fogo' e o 'desafio do desodorante' já foram motivo de preocupação.

Várias imagens com três jovens posicionados lado a lado, onde o do meio é convidado a pular e em seguida recebe uma rasteira de surpresa, viralizaram na internet. Alguns participantes aparecem com uniformes escolares.

Além de trazer risco de morte, a "brincadeira" pode ser considerada infração, se praticada por menores de 18 anos, ou crime, no caso do agressor ser maior de idade. O assunto virou pauta de reunião escolar em algumas unidades e de ações educativas em outras. Discutir o problema de forma responsável é considerado o melhor remédio para combatê-lo antes que ocorram novas tragédias.

O caso de uma estudante nordestina que morreu após ser vítima da rasteira aumentou o receio de pais e mestres. Emanuela Medeiros, 16, bateu a cabeça no chão, na Escola Municipal Antônio Fagundes, em Mossoró (RN). Ela sofreu traumatismo craniano, foi socorrida pela direção do colégio e levada ao Hospital Regional Tarcísio Maia, mas acabou morrendo.

O caso aconteceu em novembro do ano passado, mas só esta semana viralizou nas redes sociais e grupos de WhatsApp.

A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu nota para alertar aos pais e educadores sobre a necessidade de reforçar a atenção com as crianças e adolescentes. Na mensagem, é explicado que a queda pode provocar lesões irreversíveis ao crânio e encéfalo, além de danos à coluna vertebral.

 “Como resultado, a vítima pode ter seu desempenho cognitivo afetado, fraturar diversas vértebras, ter prejuízo aos movimentos do corpo e, em casos mais graves, ir a óbito. Como sociedade, pais, filhos e amigos, devemos agir para interromper o movimento e prevenir a ocorrência de novas vítimas. Acompanhar e informar/educar sobre a gravidade dos fatos, pode ser a primeira linha de ação”, diz um trecho do comunicado.